Conheço o Primo Mangialardo. Tenho por ele profundo respeito, mas como cidadão bauruense não posso me omitir e de forma cristalina considerar que a sugestão proposta por ele é elitista, antidemocrática e desprovida de fundamento político. Elitista porque pressupõe que vereadores, quando no exercício de mandatos, são melhores do que qualquer outro cidadão. A legislação eleitoral reserva a qualquer pessoa que cumpra as exigências eleitorais o direito de pleitear um mandato. Este é um dos fundamentos da democracia.
Como em qualquer obra ou se necessário for reconstruir, é preciso considerar fundamentos. Eles são pilares ou alicerces para qualquer boa obra. Antidemocrática porque aceita a tese proposta por ele, ainda que por circunstâncias, seria concluir que toda a legislação que está aí e que inclui filiações partidárias, convenções e por fim eleições, é perfeitamente dispensável. Por fim, desprovida de fundamento político porque a própria Câmara de Bauru, em sua história recente, não nos assegura que alguém depois que vira vereador se torne exemplos de cidadania e de capacidade política, seja do ponto de vista ético ou do espírito público.
E quem é da política sabe: fulano pode ser um grande legislador, mas péssimo como administrador. Ainda que esteja à distância há quase cinco anos, me parece que o problema de Bauru é de administração e não de legisladores. Para corroborar o que escrevo, lembro que dois grandes políticos que a cidade teve nas últimas décadas e que passaram por Brasília, como legisladores, quando vieram assumir a administração da cidade, não deixaram um bom legado. Fazendo trocadilho com a profissão do Primo. Irmão, seguro morreu de velho. O melhor da democracia ainda é deixar o povo escolher. Erramos, mas tem a próxima para consertar.
Adão Nereu Barbosa - RG 9.827.516 - Jundiaí-SP