A demora na queda da temperatura em Bauru, mesmo com a chegada do outono e a proximidade do inverno - que começa no dia 21 de junho -, prejudicou o comércio em abril. As coleções da estação ficaram nas prateleiras até o último final de semana. Com a chegada de uma frente fria, os consumidores foram às compras e garantiram que o mês fechasse sem prejuízos para muitos comerciantes.
De acordo com Ana Lúcia Veiga Zabuscka, gerente geral de uma loja de departamentos localizada no Centro da cidade, em quatro dias as vendas dos produtos de inverno subiram 60% em relação à média registrada em todo o mês de abril. “Não esperávamos esse movimento. Mas o frio foi bem-vindo, porque prevíamos crescimento nos moldes de março, com vendas 20% acima do mesmo período se comparado ao ano anterior”, explica. “Deu para empatar (com abril do ano passado)”, acrescenta.
Ela conta que a coleção de inverno chegou à loja no início de abril. As vendas dos itens de cama, mesa e banho, puxadas pelos edredons, tiveram alta de 45% em comparação a 2006, mas os artigos mais procurados foram os infantis. “A mãe procura comprar apenas quando a temperatura cai, porque sabe que irá perder a peça depois de alguns meses (em virtude do crescimento natural da criança)”, diz Ana Lúcia.
Segundo o presidente da CDL, Sérgio Evandro do Amaral Motta, a chegada do frio elevou em 15% as vendas do comércio em Bauru, na comparação com a média mensal. “Os principais beneficiados foram as lojas de confecção, com destaque para o setor infantil, com movimento 20% maior que o normal. Já o segundo posto ficou com o comércio de calçados, puxado pelas mulheres”, revela.
O presidente da Associação das Empresas do Calçadão (AEC), Luiz Otaviano Machado, não confirma a tendência de redução nos índices do comércio durante o mês de abril. “Creio que não houve decepção. Foi um mês com média de vendas comparável aos demais. Pode ser que algumas lojas tenham antecipado a venda de produtos de inverno, refletindo uma redução”, acredita.
Coleção diferenciada
Numa loja de roupas da avenida Getúlio Vargas, a venda de produtos de inverno também teve salto com a queda das temperaturas nos últimos dias de abril. A solução encontrada pela gerente da loja, Valentina Lupert, foi estender a venda de produtos de verão e adequar a coleção de inverno às características do clima bauruense.
“Até o final de semana estávamos vendendo somente peças de verão, que são mais baratas. Mas os itens de inverno, mais caros, venderam bastante, principalmente no sábado”, revela. “O que procuramos fazer é preparar peças com cara de inverno, mas com malhas mais leves”, completa, sem citar números relativos às vendas.
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Dia das Mães
Os comerciantes estão apostando na queda da temperatura para que os resultados das vendas referentes ao Dia das Mães superem as expectativas do setor. No entanto, segundo a meteorologista Lúcia Gularte, do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) de Bauru, a tendência é de que não ocorram quedas bruscas.
“Provavelmente não teremos chuva na região e as temperaturas seguirão como estão, com dias quentes e noites e madrugadas bastante frias. São características do outono que só começaram na última semana”, revela.
Luiz Otaviano Machado, presidente da Associação das Empresas do Calçadão (AEC), afirma que a queda na temperatura elevaria as vendas, mas mesmo assim aposta em bons resultados. “A própria data já é de apelo, pois é a segunda melhor do ano, só perdendo para o Natal. A tendência de aumento é de 15%”, afirma.
Para atingir o índice esperado, na quinta e sexta-feira da próxima semana as lojas do comércio central ficarão abertas até as 22h. Além disso, AEC e CDL também sortearão 154 cestas de café da manhã para os consumidores, como forma de incentivo às compras.