08 de julho de 2026
Internacional

Iraque deve ter ajuda de US$ 30 bi

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Bagdá - Em um dia de reuniões históricas, líderes da comunidade internacional aprovaram ontem, em Sharm el Sheikh (Egito), o Contrato Internacional de Objetivos para o Iraque (ICI), um plano qüinqüenal de estabilização que prevê o fornecimento de US$ 30 bilhões, entre ajuda financeira e perdão de dívidas, ao país árabe.

Também ontem, a secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, se reuniu com um alto representante da Síria, no primeiro encontro de alto escalão entre os dois países em dois anos.

O ICI foi aprovado por unanimidade na conferência que reúne até hoje representantes dos EUA, do Iraque, da Rússia, da China, do Irã e de países europeus e árabes.

Lançado em 28 de julho de 2006 em uma iniciativa conjunta de Bagdá e da ONU (Organização das Nações Unidas), com apoio do Banco Mundial, a iniciativa pretende melhorar a segurança e a economia do Iraque, abalado pela violência desde o início do conflito, em 2003.

Os países prometeram fazer “esforços financeiros específicos estimados em mais de US$ 30 bilhões”, afirmou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em uma entrevista coletiva.

“Isso inclui os compromissos de redução de dívida conforme as regras do Clube de Paris por parte da Bulgária, China, Arábia Saudita e Grécia. Há ainda novos compromissos financeiros do Reino Unido, Austrália, Espanha, China, Dinamarca e Coréia do Sul, assim como de outros importantes participantes”, completou.

Os 19 países desenvolvidos que fazem parte do Clube de Paris, órgão informal que exige compromissos com o FMI (Fundo Monetário Internacional), já concordaram em novembro de 2004 aliviar a dívida do Iraque em até 80% em três fases.

A idéia é diminuir o montante de US$ 38,9 bilhões para US$ 7,8 bilhões até 2008 A conferência permitiu ainda um encontro histórico entre Condoleezza Rice e o ministro sírio de Relações Exteriores, Walid al Moualem.

Foi a primeira reunião entre altos representantes dos dois países em dois anos, desde o assassinato do premiê libanês Rafik al Hariri, em fevereiro de 2005. A Síria nega ligação com o atentado, mas os EUA e países europeus atribuem a responsabilidade a Damasco.

O governo de George W. Bush acusa a Síria de acirrar as tensões no Iraque e no Líbano, e criticou intensamente a recente visita da líder da Câmara dos EUA, Nancy Pelosi, ao país.

Rice e o ministro sírio Walid al Moualem se reuniram durante cerca de meia hora para discutir a situação do Iraque. A crise no Líbano não entrou na pauta da conversa, segundo Al Moualem.

O ministro disse que a reunião foi “franca e construtiva”, apesar de descartar um novo encontro com Rice no momento. “Falamos da situação no Iraque, da necessidade de recuperar a estabilidade e segurança no país, e também de questões bilaterais”. “Mas não abordamos o Líbano”, completou, desmentindo assim os rumores sobre um suposto compromisso da Síria com os EUA sobre seu papel nos países vizinhos.

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Nada a declarar

Bagdá - Condoleezza Rice não fez declarações à imprensa após o término da reunião. A secretária de Estado americana trocou algumas palavras também, à margem da conferência, com o ministro das Relações Exteriores iraniano, Manouchehr Mottaki, que chegou a Sharm el Sheikh na manhã de ontem.

Não foram fornecidos detalhes sobre a breve conversa. A ida do ministro ao Egito é resultado de um longo impasse resolvido no início desta semana sobre a participação do Irã na reunião.

O governo iraniano disse que está preocupado com o fato de a conferência não ser realizada no Iraque e, com isso, fortalecer a posição dos EUA, que contam com forte apoio do governo egípcio.

O rápido encontro dos EUA com o Irã indica mais um sinal da mudança da política do governo Bush em direção ao diálogo com países com os quais se recusava a conversar anteriormente.

Washington já acusou a Síria de permitir que combatentes estrangeiros entrem no Iraque através da longa fronteira entre os dois países, e pressiona por um tribunal internacional para julgar os suspeitos do assassinato em 2005 do ex-premiê libanês Rafik Al Hariri.