09 de julho de 2026
Nacional

Governo tira peso da Infraero na CPI

Por Fábio Zanini e Felipe Seligman | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - Na primeira e tumultuada sessão da CPI do Apagão Aéreo, o governo deixou claro que terá controle absoluto sobre a investigação, ao eleger o presidente e o relator da comissão, e que o tema preferido da oposição, a Infraero, só será tratado de forma lateral.

O governo conseguiu eleger com facilidade o presidente, Marcelo Castro (PMDB-PI), e assegurou o posto de relator para Marco Maia (PT-RS). Até o ano passado, a Infraero (estatal que administra os aeroportos), investigada pela Justiça, Ministério Público e Tribunal de Contas da União, era presidida pelo agora deputado federal Carlos Wilson (PT-PE), amigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo avisou Castro em entrevista coletiva após a barulhenta sessão inicial - que lembrou os momentos mais tensos das CPIs dos Correios e Bingos -, contratos da Infraero só serão apurados se houver relação direta com o sistema de controle de tráfego aéreo.

“Se o contrato superfaturado tiver relação com o sistema de controle de vôo, isso (a investigação) vai surgir naturalmente. Se for um banheiro que foi superfaturado, não tem relação com o controle de vôo. Não sei se deveria ser investigado por uma CPI que tem a finalidade de examinar o tráfego aéreo brasileiro”, afirmou Castro. Ele prometeu ser um presidente “autônomo, independente e democrático”.

A idéia da base é começar a CPI em marcha lenta, usando as primeiras sessões para que os deputados “entendam” como funciona o espaço aéreo. Uma das iniciativas anunciadas pelo relator foi convocar todos os ex-presidentes da Infraero - inclusive os do governo Fernando Henrique Cardoso - para que eles participem desse processo, explicando em linhas gerais como funciona a empresa e quais são suas atribuições.

“Primeiro vamos nos apropriar de todas as informações”, afirmou Maia. O governo sabe que não poderá simplesmente fechar os olhos para as denúncias sobre a Infraero, mas quer manter o tema sob seu estrito controle.

Maia repetiu na sessão três vezes que não haverá tema proibido. “É óbvio que vamos tratar de todos os temas. Não nos furtaremos a discutir nenhum”. Porém, depois relativizou essa promessa, dizendo que não deixará a comissão se tornar uma nova “CPI do Fim do Mundo”, como ficou conhecida a CPI dos Bingos.

“Aqui não é casa de torturas”, disse, prometendo o fim dos depoimentos longos e tumultuados.

A próxima sessão será na terça-feira. A investigação deverá começar pelo acidente com o avião da Gol, que deixou 154 mortos, no ano passado. A oposição promete transformar a próxima sessão numa batalha pelo futuro da comissão. Ontem, o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), principal nome da oposição, já apresentou um roteiro de trabalho que prevê, logo no início, a convocação do ministro da Defesa, Waldir Pires, e dos chefes da Infraero, Anac e Aeronáutica. O clima foi quente durante toda a sessão.

A oposição lançou um candidato de protesto a presidente, Vanderlei Macris (PSDB-SP). Ele teve 8 votos, contra 16 para Castro. Houve momentos de bate-boca generalizado. Um dos mais exaltados era Sílvio Costa (PMN-PE), que discutiu com quase todos os líderes da oposição. Enquanto a CPI era instalada, o ministro Walfrido dos Mares Guia estava no gabinete do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP). Ele negou que tenha falado da CPI.