10 de julho de 2026
Articulistas

As relações internacionais na Cidade Sem Limites

José Renato Ferraz da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

Sabemos que a queda do Muro de Berlim em 1989 e a derrocada do socialismo soviético em 1991 marcam definitivamente o início de uma época. Hoje, vivemos sob o jugo de uma nova ordem mundial. O fim da Guerra Fria impôs desafios à convivência política, econômica e estratégica ao cenário internacional. E o Todo-Poderoso “senhor dos mercados” dita as regras em ritmo alucinante. Ou melhor, em marcha acelerada. Tudo graças aos avanços tecnológicos e a expansão dos meios de comunicação que implodiram as fronteiras nacionais, sem despudor algum, até para os mais céticos. A esfinge pós-moderna, em sua rede intergaláctica conecta, instantânea e simultaneamente, nações e organizações numa nova dinâmica de “decifra-me ou te devoro”.

A globalização - esfinge pós-moderna -redistribui a produção; alarga o abismo entre os países ricos e pobres; promove os fluxos de mercadorias, pessoas, tecnologias, conhecimentos e valores; revisa o papel do Estado do que é nacional e internacional; altera os mecanismos de seguridade social do cidadão; regula as relações comerciais entre os países; reestrutura as estratégias e métodos de planejamento tanto das instituições públicas quanto privadas de forma impactante.

Em vista das mudanças provocadas pela Mundialização - termo utilizado pelos franceses ao invés de Globalização - observa-se nas últimas décadas, o aumento de cursos de Relações Internacionais no ensino superior do país. No Brasil estima-se estar em torno de 60. Esse número, segundo dados do Ministério da Educação, indica que há uma procura acentuada de jovens em seguir a carreira internacionalista. É uma notícia promissora, diga-se de passagem. À medida que o Brasil se insere na realidade internacional, atuando nos fóruns e nos organismos mundiais (ONU, Banco Mundial, FMI, OMC, UNCTAD, OIT, G-20) e regionais (Mercosul, Aladi, Alca), é preciso especialistas. Os diversos temas globais dia-após-dia tornam-se questões prioritárias para conduzir um Estado ao progresso, à modernização e ao desenvolvimento.

Um dos belos exemplos de município brasileiro antenado com a logística global é o município de Santo André, na Grande São Paulo. A Assessoria de Relações Internacionais, vinculada ao Gabinete do prefeito, foi criada no ano de l997. “Constituíram um conjunto de ações que culminaram, por um lado, numa maior visibilidade e legitimação dos trabalhos realizados pela própria prefeitura em outras áreas, como Inclusão Social; e por outro, na sensibilização de instituições de cooperação que injetaram recursos para ampliação de projetos visíveis e com resultados sociais organizados e sistematizados”.

A captação de investimentos internacionais é uma estratégia bastante interessante para municípios que enfrentam problemas estruturais há décadas, como é o exemplo da cidade de Bauru. No ano de 2005, em conjunto com o internacionalista Hélder Passos Pereira, apresentamos no gabinete da Prefeitura projeto de criação de um Departamento de Relações Internacionais para o município de Bauru. Infelizmente, o projeto não vingou! Justificativa: “O momento político não é adequado” foi a resposta. Bauru, a “Cidade Sem Limites”, não pode manter-se excluída dos processos de desenvolvimento. Nenhum poder ou força mágica é capaz de suplantar anos de estagnação econômica, educacional, cultural e política.

É preciso despertar o potencial estrutural do município, desencadear e promover ações positivas, ampliar os limites internacionais e colocar Bauru no foguete da modernidade. O tempo urge “porque o nosso presente já é futuro para muitas cidades”. (O autor, José Renato Ferraz da Silveira, é doutorando em ciência política pela PUC-SP, professor do Iesb-Preve, do Colégio Fênix e da ITE)