08 de julho de 2026
Política

No Ibama, apreensão e risco de greve

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

A equipe do Instituto Brasileiro de Recursos Naturais Renováveis (Ibama) de Bauru continua apreensiva com o futuro do Escritório Regional que funciona desde 1991 na cidade. Desde a semana passada, quando foi anunciada a divisão da instituição em dois grupos e também o fechamento de vários escritórios no País, a regional Bauru segue os trabalhos de controle, fiscalização e licenciamento nos setores de flora, fauna e pesca. Porém, estão sem saber até quando os trabalhos continuarão.

“Aqui em Bauru continuamos com o trabalho normal nas áreas de fauna, mineração, pesca, controle de madeireiras”, enumera a coordenadora do escritório do Ibama, Lélia Lourenço Pinto. Mas ela observa que o escritório de Bauru seguirá as decisões tomadas pelos colegas em São Paulo. “Amanhã (hoje) deverá ser realizada nova assembléia para definir a greve”, diz.

O movimento grevista, que centralizou dirigentes do instituto em São Paulo, chegou a constituir um comando de greve na tarde de ontem. Mas uma liminar obtida ainda ontem, na Justiça Federal, determinou retorno imediato ao trabalho de 50% dos servidores do órgão.

Lélia lembra que os três funcionários que fazem parte da equipe que atua na regional de Bauru estão apreensivos sobre o futuro do Instituto. “Estamos sensibilizados com o apoio que estamos recebendo da sociedade”, afirma. A decisão sobre o fechamento ou manutenção do escritório deve sair no Diário oficial da União desta quinta-feira. Até lá, a equipe continua com os atendimentos normais. “Continuaremos atendendo às pessoas, até que se defina o nosso destino”, afirma. Um dos principais motivos da greve é a divisão do Ibama. Essa medida é resultado de uma crise institucional, iniciada por um parecer contrário à construção de usina hidrelétrica no rio Madeira, na Amazonas, uma das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal. Os técnicos do Ibama consideraram que o impacto ambiental da usina seria muito grande. O governo federal não aceitou a negativa, o que acarretou a divisão do Ibama.

Com a divisão, o instituto que segue com o nome Ibama ficou responsável por licenciamento ambiental e fiscalização. Já outra parte do antigo Ibama, que recebeu nome de Instituto Chico Mendes, cuidará das unidades de conservação ambiental, como parques nacionais e centros especializados.

- - -

Câmara critica medida de Lula

A possibilidade do encerramento das atividades do escritório do Ibama em Bauru também foi comentado pelos vereadores durante a sessão de ontem do Legislativo. Os vereadores João Parreira (PSDB) e Maria José Majô Jandreice (PC do B) se posicionaram contra a eventual medida governamental.

“Recentemente já tivemos a notícia do fechamento da Gerência Regional de Logística (Gerel) do Banco do Brasil e agora temos a possibilidade do Ibama ser fechado. Isso demonstra que os órgãos federais caminham na contra-mão, pois enquanto estamos vendo a grande preocupação da população sobre as questões ambientais em Bauru ele poderá fechar. Acho que a Câmara precisa se posicionar sobre o assunto e não podemos perder esse escritório, pois não é só Bauru que perderá, mas também a região”, cobrou Parreira.

Para o tucano, a cidade precisa lutar para melhorar a infra-estrutura do escritório. “Ele abrange 70 cidades e sofre com a falta de funcionários, equipamentos e estrutura adequada para fazer um bom trabalho, o que é feito às custas dos esforços dos empregados. Por isso, além de lutarmos contra o fechamento, temos de fazer com que o Ibama em Bauru tenha melhor estrutura”, salientou o parlamentar.

Já a vereadora Majô Jandreice defendeu que o Legislativo precisa ouvir os responsáveis pelo escritório em Bauru e acompanhar a situação de perto.

“São Paulo é um Estado amplo e não tem condições de permanecer apenas com dois escritórios, que é a intenção do governo. Por isso, precisamos ficar atentos ao caso e nos manifestarmos contrários a mais essa medida”, argumentou. (Marcelo Ferrazoli)

Ibama em Bauru

O Escritório Regional do Ibama em Bauru conta com três funcionários para atender 78 cidades da região. Só nesse ano, o instituto efetuou mais de cem vistorias em madeireiras da cidade e região. Outro grupo que será bastante afetado são os criadores amadores de pássaros. De acordo com a coordenadora do escritório do Ibama de Bauru, Lélia Lourenço Pinto, são mais de cinco mil criadores na região. Caso o escritório de Bauru seja fechado, esses criadores deverão se deslocar até a unidade do instituto mais próxima para atendimento. ”Muitos serviços do Ibama podem ser feitos pela Internet. Mas e para o criador de pássaros conseguir o anel que as aves em cativeiro devem colocar nos primeiros dias de vida? Ele terá que se deslocar”, observa a coordenadora. (LL)