10 de julho de 2026
Bairros

Esgoto sem tratamento impede melhoria de indicador ambiental

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

Os relatórios da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), divulgados ontem, que reúnem resultados de avaliações sobre qualidade do ar, águas, praias e acidentes ambientais em todo o Estado, mostram que, em São Paulo, apenas o ar apresentou índices piores a 2005 por conta de questões meteorológicas. Já em Bauru, o único indicador que não acompanhou a melhora estadual foi o da água, tanto pela falta de tratamento de esgoto quanto pela exploração dos reservatórios subterrâneos. De com o gerente em exercício da Cetesb de Bauru, Francisco Pereira de Lima, os indicadores ambientais do município permaneceram num patamar considerado tranqüilo em 2006. “Bauru está bem em relação ao Estado. A destinação do lixo é considerada boa. O ar não foi monitorado, mas não teve necessidade. Os problemas que aparecem são equacionados. Com exceção do tratamento de esgoto, que é inexistente”, observa Lima.

O Relatório de Qualidade das Águas Interiores revela que a quantidade de amostras classificadas como ótima, boa e regular no ano passado foi 6% maior do que em 2005, passando de 68% a 74%, sendo que a classificação boa passou de 34% para 43%. Outro ponto destacado pelo relatório é a exploração da água subterrânea. De acordo com a Cetesb, 80% dos 645 municípios do Estado utilizam mananciais subterrâneos para abastecimento. Um levantamento revelou que poços nas regiões de Bauru, Marília, Presidente Prudente, São José do Rio Preto, Franca e Araraquara, apresentaram alterações na qualidade da água por conta da ocupação desordenada.

Para o presidente do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru, José Clemente Rezende, o investimento em interceptores de esgoto feito pela autarquia desde o ano passado, pode melhorar os indicadores ambientais do município em 2008. “Foram instalados 20 quilômetros de interceptores de esgoto em Bauru entre 2006 e esse ano. Com isso, já temos córregos totalmente despoluídos”, observa.

Ontem, equipes do DAE finalizavam a passagem subterrânea de interceptores no córrego Água do Sobrado em dois trechos - nas ruas Wenceslau Braz e Nilo Peçanha. A obra inclui implantação de 130 metros de interceptores, 80 metros na margem esquerda do córrego e outros 50 metros na margem direita. A obra também inclui a instalação de interceptores sob a rua Cuba.

Outra obra apontada pelo presidente do DAE como relevante é a construção da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) do Núcleo Gasparini, que deve tratar os efluentes produzidos por 30 mil pessoas da região. O término de construção da unidade é previsto para esse ano. “E a operação pode ser iniciada ainda neste ano”, planeja Rezende.

Já para 2008, a expectativa do DAE é que o primeiro módulo da ETE do Distrito Industrial 3 comece a ser construído. Ele terá capacidade para tratar esgoto de 150 mil bauruenses. Com isso, a expectativa é, progressivamente, despoluir os rios e córregos que cortam Bauru e tratar o esgoto produzido na cidade.

Rezende também analisa outro indicador negativo revelado pela Cetesb: a captação indiscriminada de água subterrânea. Segundo ele, enquanto 300 poços perfurados estão cadastrados na autarquia, outros 600 exploram clandestinamente a água do subsolo no município. “Essa perfuração é uma verdadeira predação do aqüífero Bauru”, avalia.

Avaliação

Além da situação das águas, a Cetesb avaliou a qualidade do ar, que em Bauru, por não haver estação de verificação, ficou sem dados. Já a avaliação do aterro sanitário de Bauru melhorou. O despejo de lixo sólido no município recebeu nota 8,7 em 2006 e foi considerado adequado pela companhia. Em 2005, foi atribuída nota 7,7 ao aterro.

De acordo com Francisco Pereira de Lima, gerente em exercício da Cetesb em Bauru, em 2006 não foi registrado nenhuma emergência química – acidentes - na região. Até o início do ano, Bauru registrava 11 áreas contaminadas.

A maioria delas, terrenos de postos de combustíveis. Segundo a Cetesb, os pontos de contaminação da cidade já estão sendo recuperados. (LL)

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Instituto Vidágua cobra melhorias

Biólogo do Instituto Vidágua, Ivan Alexandre de Marche, ressalta que apesar de bem avaliada pela Cetesb, Bauru ainda precisa de investimento na área ambiental. Ele destaca, por exemplo, que municípios menores da região já estão tratando seus esgotos. Porém, ele avalia que enquanto grandes cidades como Bauru continuarem sem a melhoria, a qualidade da água na região permanecerá com os mesmos índices.

Sobre a questão do uso de águas subterrâneas, Marche observa que apesar das inúmeras manifestações da população pela importância da preservação da água, ainda existe um grande abismo entre a teoria e a prática.

Ele avalia que, enquanto os comitês que fazem as gestões de bacias hidrográficas estudam uma forma de cobrança da água captada, a iniciativa privada investe na perfuração de mais poços ara garantir seu abastecimento. “E a culpa não é só do poder público. A sociedade se desmotiva ao ver que inúmeras denúncias não são solucionadas”, observa.

Sobre os indicadores avaliados pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), Marche avalia que Bauru ainda tem muito o que melhorar. “Além do tratamento de esgoto que não tem, a deposição do lixo poderia ser melhorada. Poderia haver uma triagem na coleta seletiva, investimento nas cooperativas”, sugere. (LL)