Botucatu - Depois da maior fuga em massa de presos da Cadeia Pública de Botucatu, ocorrida na última segunda-feira, forças políticas e de segurança tentam convencer a comunidade de que a instalação do Centro de Detenção Provisória (CDP) é a solução mais rápida e eficaz para a cidade (100 quilômetros de Bauru).
A luta pela troca da cadeia por um CDP começou no ano passado, mas não vingou porque a comunidade ficou convencida de que, junto com o presídio, viriam as famílias dos presos, proporcionando insegurança aos munícipes, segundo explica o vereador Antonio Carlos Vaz de Almeida (PR), o Cula. “Não tem como evitar isso”, admite.
Segundo o parlamentar, a fuga de 61 presos da cadeia motivou uma reviravolta na situação. “Os moradores do bairro Alto, onde fica a cadeia, estão reféns dos bandidos. Isso não pode continuar. As providências têm que ser urgentíssimas. Na cadeia, com capacidade para 65 presos, estavam 190 e dois carcereiros na guarda”, contextualiza o vereador.
O delegado seccional de Botucatu, Tadeu Campos Castro, ressalta que dos 61 presos que fugiram, 22 foram recapturados até ontem. “Na terça-feira foi feita uma revista geral na cadeia e uma serra foi apreendida. A situação está tranqüila”, afirma Castro.
Segurança
No caso do CDP, a segurança passa a ser do Estado, ressalta Cula. “Eles vão abrir vagas de concursos e darão empregos para moradores de Botucatu e região. A segurança será feita pelos agentes, devidamente treinados.”
Ele lembra que no bairro onde está a cadeia há uma creche. “Temos que pensar nisso. E se os marginais saem e fazem as crianças de reféns? Não é justo manter a cadeia num bairro residencial.”
Sensibilizado com a situação, Cula já tomou providência como vereador. “O delegado seccional de Botucatu (Castro) me procurou. Eu e mais 70% dos vereadores aprovamos e encaminhamos um protocolo de intenções para o prefeito (Antonio Mário Ielo, do PT).”
O protocolo pede para que o prefeito adquira uma área rural para ser doada ao Estado, onde seria construído o CDP. “Queremos um centro para acolher 400 presos, e não 800. Assim restringimos aos detentos de Botucatu e região.”
A mudança de presídio também vai mudar a rotina das polícias, frisa o vereador. “Com a cadeia, quem faz a escolta de presos para hospitais e audiências é a Polícia Civil. Com o CDP, a escolta será feita pela Polícia Militar. Este é um dos motivos da resistência dos moradores. Eles acreditam que faltará policiamento nas ruas.”
Outro fator usado pelo vereador para convencer a população da importância da instalação do CDP é a condição dos presos na cadeia. “Eles estão vivendo numa condição subumana. O espaço é para 65 e a população carcerária está sempre beirando os 200.” Cula espera a resposta do prefeito para, então, partir para outra etapa do processo. “O prefeito tem 15 dias a partir da data de entrega do protocolo para responder. Se ele for favorável, vamos unir forças e procurar a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) para reivindicar a instalação”, projeta.
Coro
A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), subseção Botucatu, faz coro com o vereador. “A situação é de extrema necessidade. Uma cidade do porte de Botucatu merece um CDP, porque a cadeia é muito insegura”, argumenta o integrante da comissão, advogado Ronaldo Tecchio Jr. De acordo com ele, a OAB Botucatu é totalmente favorável à instalação. “Não vamos medir forças. Pretendemos pedir o apoio da OAB-São Paulo para nos assessorar junto à SAP.”
Na opinião do membro da comissão, se o CDP gera insegurança, a cadeia gera muito mais, porque está localizada numa área residencial. “Nós vamos lutar para conseguir trazer o centro para Botucatu.” O delegado seccional, Tadeu Campos Castro, também defende a instalação de um CDP na cidade. “No ano passado já tentamos instalar um, mas o terreno não foi disponibilizado”, relembra.
Prefeitura já pediu ao Estado
O prefeito de Botucatu, Antonio Mário Ielo (PT), é favorável a instalação de um Centro de Detenção Provisória (CDP) no município, desde que sua capacidade máxima não ultrapasse 450 vagas, número suficiente para atender os presos da Delegacia Seccional de Botucatu.
“O prefeito protocolou uma série de reivindicações junto ao governo do Estado, há duas semanas. Dentre elas está a instalação do CDP”, revela a assessoria de imprensa da prefeitura.
Ainda segundo a assessoria, a dúvida recai sobre a reação da população, que no ano passado reprovou a proposta de instalação de um CDP na cidade. (RCC)