08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

RUTH “BALLET” NHAN

Sérgio Coelho
| Tempo de leitura: 3 min

A dança nasceu juntamente com o homem, que nas festas dança extraindo de sua alma a alegria, e o ballet surgiu em 1489, no final do século XV, na Itália, quando o Duque de Milão se casou com Isabel de Aragão. Logo depois Catarina de Médicis levou para a França quando se casou com Henrique II, e em 1851 ela criou o Ballet Cômico da Rainha, uma das primeiras companhias de dança, para festejar o casamento de sua irmã. A França ficou eternizada como o grande palco do ballet mundial, surgindo a primeira escola de ballet em 1661, a Academia Real de Dança e, logo após em 1713, a Escola de Dança de Ópera, tendo como seu aluno ilustre o rei Luiz XIV, desde criança, e ao completar 12 anos fez sua apresentação na corte. O primeiro professor foi Pierre Beauchamp, em 1830, quando iniciou-se a época romântica, como a criação magistral de Marie Taglioni “A Silfide” e “Carlota Grisi”, e no final dessa era romântica o centro mundial de ballet passou de Paris para S. Petersburgo, na Rússia, levado pelo coreógrafo francês Marius Petipa, que se fixou naquele País. O ballet moderno então nasceu com o grande Serge Diaghilev, criando sua própria companhia e surgiram bailarinos e bailarinas lendários como Karsavina, Pavlova, Nijinsky e Fokine, criando a escola Russa de Ballet, e após a primeira grande guerra mundial o ballet se expandiu para o mundo principalmente em Londres, criando o Sadler´s Wells Ballet e, em Nova York o Ballet Theater e New York City Ballet e em 1956 o Bolchoi de Moscou transforma-se em sensação mundial. No Brasil, a primeira apresentação de ballet clássico foi no Real Teatro de São João, no Rio de Janeiro, em 1813, um espetáculo dirigido por Lacombe, e, após um século depois das apresentações das companhias russas de Diaghilev e de Pavlova, também na cidade do Rio de Janeiro, já no Teatro Municipal, o ballet brasileiro deslanchou. Em meados de 1927 a Escola de Dança do Teatro Muncipal formou, entre outros, Berta Rosanova, Leda Yuqui, Madeleine Rosay e Carlos Leite, mais tarde surgiram Dalal Achar e Márcia Haydée. Em São Paulo, Vaslav Veltchek dirigiu outra escola, de onde saíram Alexander Yolas, Juliana Yanakieva, Raul Severo, Aurélio Milloss, Tatiana Leskova, entre outros. Márcia Haydeé e Ana Botafogo foram as brasileiras que mais se destacaram com grande expressão internacional. Entre as obras brasileiras de ballet estão o Uirapuru, O Garatuja, O Descobrimento do Brasil, Maracatu de Chico Rei e Salamanca do Jarau. Em 1969, dona Ruth Nhan, bailarina do Teatro Municipal de São Paulo, vem trazer a cultura do ballet para o Interior paulista. Em Bauru fixa residência e monta Escola de Dança Ballet Ruth Nhan, que completou 38 anos no Bauru Tênis Clube. A dona Ruth, carinhosamente como é chamada por tantas alunas e alunos com 81 anos de grandes momentos e sempre transmitindo vasto conhecimento, engrandecendo nossa cidade tão carente de cultura, é de gente que faz e se dedica por uma vida inteira ao bem da coletividade, para a grandeza do conhecimento cultural especificamente na arte do ballet para o bem-estar social. Nossos parabéns a essa grande Dama da cultura brasileira. (Sérgio Coelho - RG 8.390.751)