Gaza - A violência e o caos voltaram a tomar conta ontem da Faixa de Gaza, deixando pelo menos 21 mortos em confrontos entre facções rivais e aproximando ainda mais os palestinos de uma guerra civil.
Foi o dia mais sangrento em um ano de disputa fratricida entre o laico Fatah, que monopolizou o poder palestino por quatro décadas, e o islâmico Hamas, que chegou ao poder nas eleições de janeiro de 2006.
Os mortos desde sexta-feira, quando começou a nova onda de ataques, já chegam a 44. Sucessivas tentativas de trégua fracassaram, diante de atos de retaliação entre militantes dos dois grupos que aterrorizaram a população de Gaza. Na noite de anteontem, após os dois lados anunciarem um novo cessar-fogo, a residência do primeiro-ministro palestino, Ismail Haniyeh, foi alvo de tiros, que não deixaram vítimas.
Em meio à disputa interna, militantes radicais ligados ao Hamas dispararam mais de 30 foguetes contra a cidade israelense de Sderot, que feriram duas pessoas e atingiram a central elétrica local, deixando a localidade às escuras.
A aviação israelense respondeu com uma ofensiva em Gaza que matou cinco palestinos. Apesar de vetar por ora uma operação em larga escala, o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, autorizou a retomada dos ataques seletivos contra militantes palestinos. O som de tiroteios e explosões dominou a Faixa de Gaza durante todo o dia de ontem, impondo sobre os moradores a um toque de recolher permanente. As ruas de uma das regiões de maior densidade populacional do mundo ficaram desertas, tornando-se palco de batalhas entre militantes mascarados do Fatah e do Hamas. Balas perdidas atingiram prédios residenciais e do governo, militantes abriram fogo contra manifestação civil pelo fim da violência e membros do Hamas espancaram uma deputada do Fatah e seus dois filhos, crianças, antes de incendiarem seu apartamento. Seis seguranças do Fatah foram mortos em uma tentativa de assassinato do Hamas, cujo alvo era um comandante da facção rival. Rashid Abu Shbak e sua família, no entanto, não estavam em casa no momento do ataque. A exemplo dele, a maioria dos líderes das duas facções tem buscado abrigo longe de casa.
“Nem na primeira Intifada (1987-1993) a segurança desceu a níveis tão baixos. Naquela época, nos piores dias, o toque de recolher ia de 8h da noite às 8h da manhã. Agora, ele é total”, disse de Gaza, por telefone, o economista Khalil Shaheen, diretor do Centro Palestino de Direitos Humanos.