08 de julho de 2026
Polícia

PM reforça policiamento a ônibus

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 3 min

A Polícia Militar (PM) vai intensificar o policiamento aos ônibus do transporte público noturno que passam pela região central de Bauru, principalmente nos finais de semana. O intuito é inibir a ação de adolescentes que causam transtornos a passageiros e funcionários das empresas que operam o serviço.

A decisão do reforço policial foi tomada na manhã de ontem, após reunião entre representantes da Polícia Militar (PM), da concessionária Grande Bauru, Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Centro-Sul, vítimas de violência em pontos ou no interior dos ônibus e o vereador Primo Mangialardo (PV), na Câmara Municipal de Bauru.

O estopim para a realização do encontro foi a reclamação de uma empresária do Centro, que constantemente recebe queixas de seus funcionários, dispensados do trabalho por volta da 1h e que precisam fazer uso do transporte noturno. De acordo com ela, que prefere não revelar o nome, adolescentes que saem de uma casa noturna na área central, muitos deles alterados pelo uso de álcool ou entorpecentes, se juntam em grupos de cerca de 40 e passam a ameaçar e até mesmo a agredir pessoas que se neguem a obedecer suas ordens.

A empresária se refere às chamadas festas “teen” da casa noturna, que ocorrem uma ou duas vezes por mês, geralmente às quintas-feiras e são freqüentadas por jovens entres 12 e 17 anos, de acordo com os participantes da reunião.

Segundo o encarregado operacional da concessionária de transporte coletivo Grande Bauru, José Edson Alves, com certa freqüência motoristas de uma das cinco linhas noturnas da cidade comunicam a direção da empresa sobre abusos cometidos por grupos de pessoas. “Eles não têm muito o que fazer porque, se tomarem alguma atitude, podem sofrer represália”, afirma.

O comandante da 1.ª Companhia da PM, tenente João da Costa Duarte, afirma já ter recebido relatos de pessoas que passaram por situação semelhante ao pegarem ônibus no Centro. Ele promete mobilizar um efetivo para tentar conter esses atos. “Vamos intensificar as revistas na porta da casa, acompanhar esses grupos até o ponto de ônibus e, se verificada a necessidade, seguiremos o coletivo até o seu destino.” Ele não esconde que, para isso, o esquema policial da região terá que ser repensado. “Haverá uma certa dificuldade com o efetivo, mas vamos solicitar apoio para cumprir a atividade”, explica. A intenção, segundo Duarte, é estender esse tipo de operação a todos os eventos de grande porte (com tendência a arruaças após seu término) que ocorrerem na cidade. A PM e a Grande Bauru se comprometeram a atuar em conjunto para tentar reverter esse quadro. No entanto, Primo Mangilardo destaca que a população também precisa atuar, já que o número de boletins de ocorrência relatando tais fatos é pequeno. “A polícia tem que agir na prevenção se é divulgado um evento com aglomeração de pessoas. A empresa de ônibus tem que comunicar com antecedência a PM, para ela ter condição de agir. Já as pessoas que se sentem ameaçadas têm que procurar a polícia no mesmo dia, ou no dia seguinte. Isso é importante para o desenvolvimento antecipado de ações nesse sentido.”

O membros da reunião chegaram ao consenso de que o problema é acentuado em virtude da desestruturação nas famílias dos adolescentes. Outro passo do grupo será oficializar promotores e o juiz da Infância e Juventude Bauru para posterior implementação de projetos de assistência aos menores.