09 de julho de 2026
Articulistas

Das certezas às dúvidas

Janira Fainer Bastos
| Tempo de leitura: 3 min

Li com interesse o artigo do professor Razuk publicado dia desses. Indiretamente ele levanta um assunto que está preocupando uma parte dos habitantes da nave Terra. O dr. Razuk foi light em sua escrita, eu sou quase terrorista. Todo o direito internacional atual parece centrar-se no problema do emprego dos recursos do planeta. A competição fica por conta de dois princípios antagônicos: o da soberania do Estado e o fato dessas riquezas serem consideradas como patrimônio comum da humanidade. Eu até concordo que os recursos naturais deveriam pertencer a todos, provocando mudanças no sentido de um mundo mais justo, nem por isso o Brasil precisava dar de presente à Bolívia nossas refinarias...

Voltando ao artigo, ele me fez pensar em como a humanidade inconseqüentemente está colocando em risco o futuro dos nossos descendentes. Sou daquela geração maluca que tentou subverter a ordem de tudo. Essa, onde está Caetano Veloso, o pessoal da nova ordem mundial.

Em 1987, minha turma leu horrorizada Escolha a Catástrofe, de Isaac Asimov. Ele apontava de maneira racional formas apocalípticas sobre como dar fim à raça humana. O autor discorria sobre a possibilidade de um aquecimento da atmosfera e do perigo das calotas geladas dos pólos derreterem, fazendo o nível do mar subir. Adeus Países Baixos, Malvinas, Bangladesh e boa parte das cidades litorâneas. Naquela época, 70% da população do mundo vivia a uns 60 km do mar. Aparentemente, as questões agora são outras: inflação, desemprego, dívida Estado-Previdência, globalização. Entretanto, um relatório sobre as condições climáticas do planeta divulgado este ano evidenciou o famoso efeito estufa como um problema a ser resolvido. Efeito estufa? O que é isso, afinal? Os raios solares penetram na atmosfera e atingem a Terra. Ela devolve parte do calor recebido. Esse calor, indispensável à vida e a manutenção da água em estado líquido, está ficando retido – por uma espécie de parede envidraçada, como numa estufa – por gás carbônico, metano, óxido de nitrogênio, ozônio e clorofluorcarbonos, aumentando a temperatura e modificando o clima. A poluição dos últimos duzentos anos tornou mais espessa essa camada de gases existentes no ar. Isso tem sido apontado como o problema ecológico mais grave enfrentado pela humanidade desde os primórdios da civilização. Em escala mundial, esse aumento provoca o aquecimento da temperatura nas regiões tropicais intensificando o processo de desertificação e da proliferação de doenças. Esse calor facilita o desaparecimento de espécies vegetais e animais. Multiplicam-se as secas, as inundações e furações, isso sem falar do século XX como o mais quente dos últimos quinhentos anos. Asimov estava certo. As geleiras dos pólos encontram-se mesmo derretendo e submergindo amplas áreas litorâneas. Eu só citei uma catástrofe, imaginem as outras... ou melhor leiam o livro. De uma coisa eu tenho certeza, em teoria, todas as religiões sempre previram um momento em que “o céu cairia” e o universo seria extinto. Na prática, o Protocolo de Kioto impôs a redução da poluição para os próximos anos. A dúvida é se as organizações internacionais e os diversos governos estão tomando providências e quais são elas, pois o novo relatório, pela pressão de alguns países, continua vago sobre o assunto. Se o universo como um todo sofre mutações letais, certamente os seres humanos também deixarão de existir. Assim falou Isaac Asimov... (A autora, Janira Fainer Bastos, é doutora em estética e história da arte e coordenadora do curso de pós-graduação lato-sensu design de interiores: Interfaces, do Iesb)