08 de julho de 2026
Articulistas

Assimetria persistente

Iolanda Toshie Ide
| Tempo de leitura: 2 min

Em 1995, o percentual de mulheres no mercado formal de trabalho era de 40% (homens 56,4%). Já em 2005, cresceu para 43,6% (homens 60%). No mesmo intervalo, o percentual de famílias “chefiadas” por mulheres passou de 22,9% para 30,6%.

O Fórum Econômico Mundial divulgou, em novembro de 2006, a classificação de 115 países, inclusive sob a ótica de gênero. Na assimetria entre os salários de homens e mulheres, o Brasil se coloca em 98º lugar.

Em tempos de políticas sociais reduzidas, os cuidados com filh@s, idos@s, enferm@s, deficientes, quase sempre recaem sobre as mulheres, eternas cuidadoras. Isso significa que, cada vez mais, os encargos sobre os ombros das mulheres pesam mais agudamente já que a chefia feminina vem crescendo e os salários cada vez mais assimétricos.

Não é sem razão que nas reuniões e mobilizações por políticas públicas sociais, as mulheres são a maioria.

O avanço das políticas neoliberais, significa maior peso sobre os ombros das mulheres. Acrescido pelo desemprego (que é maior entre as mulheres), pela deterioração das relações de trabalho e pelos salários cada vez mais arrochados principalmente para as mulheres, completa-se o quadro da milenar injustiça a que foi submetido o chamado “sexo fraco”.

Como se não bastasse, as relações patriarcais que permeiam a vida da maioria das pessoas, torna a violência uma constante que atinge as mulheres de modo a que permanecesse, até bem pouco tempo, invisível e, por isso impune. Segundo pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo em 2001 “A Mulher Brasileira nos Espaços Público e Privado”, 6,8 milhões de brasileiras já sofreram algum tipo de violência, sendo que a denúncia se reduz a meros 10%. A cada 15 segundos, uma brasileira sofre violência de gênero.

A ausência de políticas públicas, consistentes e abrangentes, de prevenção e atendimento às vítimas, é o grande sinal de que aos poderes constituídos pouco importa a injustiça a que estão sujeitas milhões de mulheres desse país.

Oportuna é, pois, a convocação da II Conferência de Políticas para Mulheres (a primeira ocorreu há três anos). É preciso que tenhamos um diagnóstico da situação das mulheres: o que pensam, o que sentem, seus anseios, o que reivindicam. A persistência das assimetrias, em vários campos, convidam a gestos de coragem e decisão. É preciso ousar para que haja mudança significativa. Uma sociedade agradável para mulheres e homens só é possível se relações menos díspares forem estabelecidas.

Todas as mulheres estão convidadas a mais um esforço em direção à garantia dos poucos direitos já vigentes e à conquista de alguns mais. Não há estado de direito sem os direitos das mulheres. (A autora, Iolanda Toshie Ide, é colaboradora do Opinião)