09 de julho de 2026
Geral

No céu de outono, aviões parecem que vão se chocar no ar

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 2 min

O céu azul de outono, quase sem nuvens na manhã de ontem em Bauru, proporcionou uma cena que despertou apreensão em quem flagrou o evento. Por volta das 11h, dois aviões, a muitos quilômetros de altitude, voavam um em direção ao outro, dando a impressão que iriam se chocar no ar. Os rastros deixados no céus, reforçavam a imagem. Mas foi só impressão: eles cruzaram o céu em segurança.

De acordo com o chefe dos controladores de vôo de Bauru, Celso Pereira, as aeronaves, um Airbus e um Boeing, estavam bem distantes uma da outra. Os trajetos tinham, pelo menos, 600 metros de diferença de altitude.

Segundo Pereira, Bauru é um ponto de cruzamento constante de aeronaves com destino a Curitiba, Brasília, Goiânia, São Paulo, Cuiabá, entre outras cidades. “Passam todas aqui, às vezes nas mesmas direções, mas todas com altitudes diferentes”, explica Pereira. A margem de segurança entre cada um varia de 300 a mil metros. O Segundo Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta 2), que opera em Bauru, controla o espaço aéreo nas regiões de Bauru, Marília, Lins e Jaú. A central fica em Curitiba. No outono, com o ar mais frio, a esteira de condensação dos aviões (aquele rastro que eles deixam no céu) fica mais visível. Dessa forma, é mais fácil para quem está no solo observar as aeronaves cruzando o espaço aéreo de Bauru. E, para quem observa do chão, muitas vezes a sensação é que um avião está prestes a colidir com o outro.

No caso do acidente entre um jato e a aeronave da empresa Gol, em 29 de setembro do ano passado, os dois aviões trafegavam na mesma altitude. O jato Legacy, que realizava seu primeiro vôo, bateu em um Boeing 737/800 da Gol em pleno vôo. O jato conseguiu pousar na base da Aeronáutica na Serra do Cachimbo (PA) e os sete ocupantes não sofreram ferimentos. O Boeing com 154 ocupantes caiu na selva e todos morreram.