Duartina - A suspeita de que no interior da Cadeia Pública de Duartina (38 quilômetros de Bauru) havia dois aparelhos de celulares e que as presas fariam uma carcereira refém para reivindicar o retorno das visitas de parentes que não estejam na lista de primeiro grau movimentou a polícia de Duartina, na manhã de ontem. O princípio de rebelião foi contornado com o reforço policial do Grupo Armado de Repressão a Roubo e Assalto (Garra) de Bauru.
O movimento teve início por volta das 9h30, quando as visitas das 39 presas já estavam na parte interna da cadeia. A partir daí são duas as versões do caso. Para os familiares de presas os banheiros não foram abertos e quando as detentas pediram para abrir, os policiais se recusaram. As presas começaram a gritar e a polícia pediu reforço. Permitindo a saída das visitas somente depois que a equipe do Garra chegou.
Na versão da polícia, havia uma denúncia de que as detentas fariam uma carcereira refém quando fosse aberta a porta dos banheiros. Por isso foi solicitado o reforço policial.
A entrada da equipe do Garra assustou as visitas que juraram desconhecer o movimento. “Eles cortaram a visita de parentes que não seja de 1º grau, isso deixou as presas descontentes, mas elas estavam quietas. Eles é que não abriram os banheiros. As crianças queriam fazer xixi e não podiam,” conta o marido de uma presa que não quis se identificar.
O homem lembra que as visitas e as presas ficaram no pátio. “Foi um tumulto porque tinha visita querendo entrar no banheiro e não podia. Uma senhora passou mal e outra desmaiou.”
O pai de uma presa que também estava lá no momento do tumulto conta que a revolta das presas não se restringe somente a proibição de visitas. “Não pode mais trazer nem comida. Eles ameaçaram tirar a geladeira e o fogão que elas usam para fazer um miojo, por exemplo”, relata o familiar, que não quis se identificar.
Para o pai, a reivindicação das presas é justa, já que a comida servida na cadeia é de péssima qualidade. “Minha filha reclama da comida. Já encontraram cabelo e pedaços de barata. Isso revolta as detentas.”
Uma estudante que foi visitar a mãe conta que as detentas e as visitas ficaram presas no pátio da cadeia sem banheiro. “As presas se aglomeraram na porta pedindo que os banheiros fossem abertos, mas eles só abriram quando o reforço chegou. Somos revistados na entrada e saída.”
A estudante diz que a polícia está colocando obstáculo para a entrada de visitantes. “As presas amasiadas só podem ter visita dos maridos se eles provarem que são amásios delas.”
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No buraco
A saída das visitas permitiu uma revista minuciosa nas três celas e nas 39 detentas. Em uma das celas, a polícia encontrou um carregador de celular, porém, os dois aparelhos, conforme denúncia, estavam escondidos no pátio, num buraco de escoamento de água pluvial.
No mesmo buraco havia uma faca de serra de cerca de 19 centímetros, também escondida. Todo o material foi apreendido.
De acordo com a Polícia Civil, por ordem superior, a entrada de parentes que não sejam de primeiro grau está proibida. Os amásios têm que provar união estável.
A entrada de comidas, cosméticos e guloseimas não está proibida e a geladeira foi retirada apenas no dia de ontem, quando a cadeia passou pela revista, porém, deve retornar ao mesmo lugar. (RCC)