08 de julho de 2026
Cultura

A ‘rockmacumba’ de Rita Ribeiro

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

Fusões, beats eletrônicos, rock, cultura popular brasileira e sincretismo religioso. É assim que a cantora maranhense Rita Ribeiro enumera os elementos de “Tecnomacumba”, seu último CD e também o show que ela apresenta sábado, às 23h, no Teatro Municipal, dentro da programação da Virada Cultural de Bauru.

De acordo com Rita, “Tecnomacumba”, o disco, surgiu após três anos de shows e pesquisas sobre os compositores populares e intérpretes que abordaram os rituais religiosos brasileiros em suas canções - que teve expoentes como Clementina de Jesus e Clara Nunes. Pop por excelência, a cantora optou por registrar em estúdio o que se revelava nos shows.

“Tudo acabou resultando nas gravações e as guitarras vieram predominantes. Ouso dizer que é ‘Rockmacumba’ (risos). Em estúdio, pudemos repensar os arranjos e dar o peso. Como contraponto, as músicas têm uma percussão riquíssima, com referências ao Maranhão, à Bahia e ao Rio, além desse acento pop contemporâneo”, define. O repertório vai de “Rainha do Mar”, de Dorival Caymmi, a “Divino”, parceria de Rita com Zeca Baleiro.

“Encontrei esse sincretismo religioso na música dos baianos, como Gilberto Gil, Caetano, Caymmi; nos cariocas como Benjor e Nei Lopes, e no Maranhão (com Oberdan Oliveira e Júnior, em ‘Tambor de Crioula’)”, aponta a cantora.

Entre as canções do disco e do show, estão pérolas da MPB como “Domingo 23”, de Jorge Benjor; “Babá Alapalá”, de Gil, “Oração ao Tempo”, de Caetano, e “Iansã”, dos dois; “Cavaleiro de Aruanda”, de Tony Osanah, imortalizada por Ronnie Von; “É d’Oxum”, de Gerônimo e Vevé Calazans; “A Deusa dos Orixás” (Toninho e Romildo) e “Coisa da Antiga” (Wilson Moreira e Nei Lopes), eternizadas por Clara Nunes.

Rita revela ainda que “Jurema” e “Cocada”, registradas em “Lenha”, seu CD de 1999, ganharam novos arranjos e são integradas ao “Tecnomacumba” com grande facilidade. “Fazer o CD a partir dessa pesquisa é uma questão de cultura, ele é um manifesto de brasilidade, um chamado para o povo se aprofundar em sua origem. Isso parece papo vencido, mas precisamos ter consciência e orgulho do que somos”, afirma a cantora.

“Macumba é coisa de negro e pobre, por isso é um tema crucificado. Mas vai além, é uma herança cultural popular. (O disco) não tem o peso de teses acadêmicas porque busquei a leveza através da música”, completa Rita, que também participa da programação do 1.º Fórum Umbandista sobre Liberdade Religiosa, promovido pela equipe Umbanda Fest amanhã no Automóvel Club de Bauru. Rita apresenta o show “Tecnomacumba” acompanhada pela banda Cavaleiros de Aruanda, formada por Tavinho Menezes (guitarra e vocais), Alexandre Catatau (contrabaixo e vocais) e Kim Pereira (bateria e programação eletrônica).

Serviço

Rita Ribeiro apresenta o show “Tecnomacumba” amanhã às 23h no Teatro Municipal, na programação da Virada Cultural. Os ingressos das apresentações no teatro são limitados e serão distribuídos amanhã a partir das 10h no Centro Cultural Carlos Fernandes de Paiva, na avenida Nações Unidos, 8-9. Mais informações: (14) 3235-1072. A programação completa da Virada Cultural de Bauru está no site www.cultura.sp.gov.br.