Hateen, Fresno, ForFun, NX Zero e Moptop são bandas da nova geração do rock nacional que chegaram à MTV pela popularidade alcançada com a divulgação de seu trabalho na Internet, pela mão de produtores-midas ou pelo investimento de gravadoras. Hoje às 20h, a emissora exibe o especial “MTV ao Vivo 5 Bandas de Rock”, no qual cada grupo toca um sucesso e mostra uma música nova – no CD e DVD que chega às lojas, são quatro faixas para cada banda.
O que pretende ser uma amostra dos “representantes” do novo rock brasileiro não chega a assustar como um Frankenstein, porém não faz um registro uniforme nem dá um bom panorama da música que é produzida País adentro. As bandas têm sua base no hardcore e no guitar rock, mas as particularidades é que colocam cada uma em seu devido lugar – algumas com prestígio, outras com desconfiança.
Outro ponto une as cinco escolhidas: seu público, majoritariamente adolescente. Isso, entretanto, não é desculpa para nivelar as coisas por baixo. Os fãs podem encontrar uma voz para suas dúvidas, lutas e conquistas nas letras dos novos ídolos, mas registrar no especial e no disco um pedido como “Quando eu contar até quatro, a gente vai parar e vocês gritam”, feito pelo vocalista e principal compositor do Hateen, Rodrigo Koala, não deixa de ser constrangedor.
Além dos hits “1997” e “Quem Já Perdeu um Sonho Aqui”, o Hateen incluiu duas inéditas que, para a banda, representam a fase em que os músicos se encontram agora. “Não sei se essas músicas vão entrar no nosso próximo disco, que será lançado até o final do ano. A idéia é mesmo essa, nos distanciar um pouco do hardcore, fazer um rock mais adulto. Já estamos com quase 30 anos, não dá para continuar fazendo o mesmo som”, diz o guitarrista Fabrizio Martinelli.
“Tudo de errado que existiu entre a gente/ Não dá pra esquecer/ Mas pelo menos eu posso gritar/ Obrigado por me deixar viver mesmo sem você agora”, diz a faixa “mais adulta” “Sozinho a Dois”.
Jovem rock
Vindo do Rio Grande do Sul, o Fresno destacou-se na cena independente ao ser campeão de downloads e audições de suas músicas em portais de MP3. “Antigos” amigos de escola - considerando que todos estão na casa dos 20 e poucos anos -, os músicos merecem destaque por mergulharem seu rock em influências do brit-rock e de bandas dos anos 90 como o Smashing Pumpkins, além de preservarem a típica melancolia do rock gaúcha. É irresistível não os comparar positivamente ao Fall Out Boy.
“Esse ‘Ao Vivo’ foi um passo muito importante para a nossa carreira, conseguimos assinar contrato com uma gravadora (Universal) e vamos entrar em estúdio entre junho e julho. Pretendemos colocar ‘Contas Vencidas’ e ‘Polo’ no repertório, apesar de terem sido compostas especialmente para a apresentação”, comenta Lucas “Paraíba” Silveira, vocalista e guitarrista da banda.
A licença da juventude também dá crédito ao NX Zero, uma das revelações do rock no ano passado. Além dos sucessos “Além de Mim” e “Apenas um Olhar”, a banda paulista apresenta as inéditas “Mais e Mais” e “Algo que Não Sou”. Se os integrantes tivessem aparecido do nada na programação da MTV, haveria a suspeita de serem uma boy band roqueira de fórmula pronta. Sua história de seis anos na cena hardcore paulista antes de estourar para o grande público lhes permite ainda explorar as paixões e dilemas adolescentes.
Assim como o NX Zero e o Fresno, o ForFun também dividiu palcos com outras bandas do hardcore até ter seu lugar ao sol. “A gente já tinha tocado com praticamente todo mundo - acho que menos o Moptop, apesar de conhecermos os caras, porque eles também são do Rio. Tocamos com o Fresno e o NX de lugares mais underground a shows gigantes”, comenta Vítor Isensee, guitarrista do Forfun.
Para ele, o especial das cinco bandas tem a função de explorar as diferenças entre o som de cada participante e suas particularidades. E das cinco, o Forfun é o grupo que explora uma gama maior de influências de fora do rock. “Nosso som tem mais mistura mesmo, influências de reggae, ska, hip hop, do funk do James Brown. Isso dá um tom bem diferente”, assume.
Se o Forfun pode explorar suas raízes mais cariocas e dar cor de praia ao seu hardcore (“Felicidade é um fim de tarde olhando o mar/ E a gravidade não te impede de voar/ Perto de toda a positividade/ A onda boa se propaga no ar”, canta Danilo em “Hidropônica”), o Moptop tem os pés mais próximos do rock de Nova York do que da Califórnia – os Strokes e New York Dolls são referências óbvias.
O grupo também foi “hype” na Internet e teve suas músicas baixadas e desejadas muito antes de ganhar destaque em festivais ou de abrir o show do Oasis no Rio, no ano passado. A idade “avançada” dos integrantes do Moptop – entre 27 e 30 anos – é refletida nas letras do vocalista Gabriel Marques. Das cinco bandas do especial da MTV, o Moptop é a mais heterogênea do grupo e, por isso mesmo, a que mais vale a audição.
*Com Folhapress