09 de julho de 2026
Polícia

DIG apreende uísques falsificados

Ieda Rodrigues Colaborou Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Vários litros de uísque Johnnie Walker, provavelmente com conteúdo falsificados, garrafas vazias da mesma bebida, selos para embalagem e galão para acondicionar álcool de cereais foram apreendidos ontem em uma casa da Vila Santista, em Bauru. A Polícia Civil, que chegou à residência após investigação durante operação realizada na cidade, acredita que garrafas vazias de uísque de marcas renomadas eram preenchidas no local com uma mistura de um produto de marca mais barata e álcool de cereais.

Os dois moradores da residência, o comerciante Sérgio Aparecido Nascimento, 50 anos, e o serralheiro José de Oliveira Sposito, 46 anos, foram presos em flagrante com base no artigo 272 do Código Penal. Ele prevê como crime corromper, adulterar, falsificar ou alterar substância ou produto alimentício destinado a consumo, tornando-o nocivo à saúde ou reduzindo-lhe o valor nutritivo. Ao delegado Abel Cortez, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), eles negaram que falsificavam a bebida.

Ambos disseram que tinham ganhado as garrafas cheias e vazias, selos e demais produtos, mas não conseguiram dar mais explicações. “Apresentaram três versões diferentes. Apesar de negar a falsificação, quando perguntamos se eles beberiam o uísque, disseram que não”, relata o delegado.

Primeiramente, os policiais da DIG encontraram 37 selos de uísque no local. Durante a revista, acharam 12 garrafas de uísque Johnnie Walker Red Label cheias e lacradas com selo aparentemente falsificado, uma garrafa de uísque Johnnie Walker Swing (15 anos) cheia e lacrada também com selo aparentemente falsificado. Já numa pia, estavam 11 garrafas de uísque Johnnie Walker Red Label, uma de Johnnie Walker Black Label e nove garrafas de uísque Chanceler, todas vazias.

O delegado acredita que as garrafas seriam lavadas e preenchidas com uma mistura de bebida alcóolica mais barata e álcool de cereais. Ainda foi localizada na residência nota de compra de 15 litros de álcool de cereais, sendo que cada litro custa cerca de R$ 5,00. Já a garrafa de um Swing original sai por volta de R$ 170,00. O litro de um Red Label (8 anos) e um Black Label (12 anos) custam, aproximadamente, R$ 58,00 e R$ 110,00, respectivamente.

Nascimento já tem passagem pela polícia e Sposito era procurado pela Justiça por furto, estelionato e uso de documento falso. Com base nas evidências, ambos foram presos e responderão inquérito com base no artigo 272 parágrafo 1.º -A, que estabelece que incorre nas penas deste artigo quem fabrica, vende, expõe à venda, importa, tem em depósito para vender ou, de qualquer forma, distribui ou entrega a consumo a substância alimentícia ou o produto falsificado, corrompido ou adulterado. Se forem condenados, podem pegar de quatro a oito anos de prisão.

Destino

Mas até ontem, a Polícia Civil não sabia qual seria o destino do uísque encontrado na casa. Um proprietário de casa noturna em Bauru, que preferiu não se identificar, contou que há cerca de quatro meses foi procurado por moradores de uma outra cidade que ofertaram uísque provavelmente falsificado. “Além do preço, selo e o próprio produto era diferente do original. Nunca comprei, mas de vez em quando recebo oferta”, diz.

O delegado Abel Cortez alerta os comerciantes a verificarem a procedência de bebidas antes de comprá-las para revenda, principalmente se o preço estiver abaixo do de mercado. Da mesma forma, os consumidores devem analisar as características da embalagem, selo e lacre da bebida antes de comprá-la. (IR)