Brasília - O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), divulgou ontem nota para negar as acusações publicadas pela revista “Veja” de que teria recebido recursos de um lobista da empreiteira Mendes Júnior para pagar parte de suas despesas pessoais.
Na nota, Renan afirma ser “intolerável” que sobre assuntos de sua vida particular se façam “ilações desarrazoadas e conclusões perversas”. Renan afirma que nunca recebeu dinheiro ilícito ou clandestino “de qualquer empresa ou empresário”. O senador disse que “jamais” teve despesas ou gastos pessoais seus ou de familiares “custeados por terceiros”.
Segundo Renan, suas atividades parlamentares sempre foram pautadas pela honestidade para cumprir os compromissos firmados com seus eleitores. “Não tenho nada a esconder ou dissimular. As doações efetuadas para minhas campanhas eleitorais foram efetivadas em absoluta conformidade com a lei e constaram das respectivas prestações de contas”, disse. O senador afirma, na nota, que sempre defendeu a liberdade de imprensa - mas critica ações tomadas sem responsabilidade por parte da mídia. “A liberdade de imprensa é pedra angular do regime democrático. Mas seu exercício pressupõe seriedade e responsabilidade, sob pena de transformar-se em instrumento de interesses mesquinhos e inconfessáveis.”
Denúncias
Reportagem da “Veja” aponta que Renan teria parte de suas despesas pessoais bancadas por esquema financiado pela construtora Mendes Júnior. Em nota, a construtora negou o suposto pagamento. “Sobre os pagamentos mencionados, não existe, nem nunca existiu, qualquer participação da Mendes Júnior”, diz a nota.
De acordo com a “Veja”, o pagamento seria feito pelo lobista da construtora, Cláudio Gontijo, assessor da diretoria de Desenvolvimento da Área de Tecnologia da Mendes Júnior.
Entre as despesas que seriam arcadas por ele estaria o aluguel de R$ 4.500,00 de um apartamento de quatro quartos em Brasília para a jornalista Mônica Veloso - com quem Renan tem uma filha. Ele também pagaria uma pensão mensal de R$ 12 mil para a jornalista. Veloso não foi localizada até o momento. No mês passado, Renan reconheceu a paternidade de Maria Catharina Freitas Vasconcellos Calheiros, de quase 3 anos, filha de Mônica Veloso, segundo reportagem da “Folha de S.Paulo” do dia 12 de abril.
Senadores
Os senadores do governo e da oposição reagiram de forma cautelosa à denúncia. O líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO), disse que o partido não pode tomar nenhuma posição em relação a Renan antes de ouvir o senador. “Eu nem li essa matéria. Vou esperar primeiro conversar com o presidente para me inteirar sobre o assunto. É difícil falar de pessoas. Quem teve o seu nome citado tem que fazer a sua defesa e esclarecer”, disse Raupp.
O líder afirmou que a bancada do PMDB vai se reunir na quarta-feira, como faz cotidianamente, e poderá discutir as denúncias contra Renan se o assunto vier à tona. “Todos os assuntos que estiverem em pauta pelo partido podem entrar na reunião”, disse.
O senador Pedro Simon (PMDB-RS), que subiu à tribuna do Senado na manhã de ontem para criticar as fraudes desvendadas pela Operação Navalha, da Polícia Federal, também defendeu que Renan se explique antes de o partido discutir a denúncia. “Acho que a bancada deve se reunir com ele para se explicar. Antes de dizer qualquer coisa, tenho que aguardar e ver o que ele vai dizer”, afirmou.
Segundo o peemedebista, suas críticas no plenário aos envolvidos em denúncias de corrupção não tiveram Renan como destinatário. “(As críticas) foram dirigidas para um bolo de gente. Eu nem tinha me dado conta (da denúncia contra Renan). Quero ouvir a palavra dele. Se for o caso, pode ser punido sim, mas o que tem que se fazer é permitir que ele fale.”
Simon cobrou cautela em relação às denúncias, já que não foram publicadas pela imprensa sem investigações judiciais. “Essa mesma revista (Veja) que publicou a matéria já fez coisas muito bacanas, mas também cometeu equívocos como o episódio envolvendo o deputado Ibsen Pinheiro”, disse.
Assim como os peemedebistas, senadores da oposição também defendem que Renan seja ouvido antes de o Senado discutir o impacto da denúncia contra o presidente da Casa. “É preciso ouvir o presidente Renan. Qualquer afirmação seria precipitada antes de ouvi-lo. O que estamos aguardando do presidente é a manifestação sobre os episódios. Com certeza ele fará”, defendeu o senador Heráclito Fortes (DEM-PI).