O aumento do consumo de drogas nos últimos anos e suas conseqüências na vida do usuário e da sociedade são vistos como um problema de saúde pública. A situação é tão alarmante que vem desafiando profissionais de todas as áreas a se unirem para combater o problema. Em Bauru e região, o tema será um dos destaques da 4.ª Jornada de Psicologia Junguiana, que será realizada nos dias 6 e 7 de julho, no Centro de Convenções do Obeid Plaza Hotel (confira abaixo). A programação paralela apresenta à 9.ª Mostra de Pesquisas do Curso de Aprimoramento em Psicologia Analítica “Técnicas terapêuticas junguianas.”
Promovido pelo Instituto de Psicologia Junguiana de Bauru e Região (IPJBR), o evento tem como tema “Psicologia Junguiana e Saúde: caminhos de extensão e integração”, e busca discutir de que forma o pensamento analítico de Carl Gustav Jung (leia ao lado) pode se integrar à saúde física e emocional do ser humano. No caso das drogas, a psicologia junguiana oferece um valioso arsenal no combate ao excesso de bebidas alcoólicas, entorpecentes, cigarro, remédios, entre outras substâncias que podem causar vício, explica a professora doutora e psicóloga Regina Paganini Furigo, integrante da comissão de ética da jornada.
Segundo Regina, com o uso das drogas, a pessoa vai buscar sua identidade, uma referência. “Por meio da droga, ela se vê de uma outra forma. Ainda que de maneira não muito verdadeira, isto acaba dando uma identidade para o indivíduo e assim, cada vez mais, ele precisa da droga”, aponta Regina. “Em alguns casos, esta identidade pode ser coletiva, para que ele se sinta parte de um determinado grupo”, acrescenta a jornalista e professora doutora em literatura grega antiga Cristina Rodrigues Franciscato, membro da comissão científica do evento.
Regina explica que as pessoas que recorrem às drogas normalmente têm uma ferida primal muito grande e, por isto, utilizam tais substâncias para preenchê-la. “Esta ferida pode ser o momento que faltou algo, uma rejeição, abandono ou sentimento que a machucou.” Por esta ótica, é fácil entender porque a abstinência é o maior problema no tratamento contra a dependência. “Se afastar das drogas é entrar em contato direto com aquilo que levou a pessoa a procurá-las”, explica.
É neste cenário que a psicologia junguiana assume o papel de ajudar a pessoa a se confrontar com seus “fantasmas” e problemas para que ela possa, gradativamente, se entender e dar um suporte a si própria. Isto ocorre porque o modelo junguiano não busca apenas mudanças de atitudes ou adaptação social, mas também “investiga” toda a estrutura interna e emocional do indivíduo.
Segundo Regina, por meio da atenção psicológica e técnicas de atendimento à pessoa nos momentos de crise, a psicoterapia pode trabalhar oferecendo elementos para que a busca pela resolução da ferida original possa ser feita de forma assistida e acompanhada.
“A psicologia junguiana vai buscar o cerne da questão por meio de um processo de individuação, o tornar-se si mesmo. A pessoa vai se aproximar de si própria e tudo será uma conseqüência”, diz.
Serviço
4.ª Jornada de Psicologia Junguiana de Bauru e Região. Dias 6 e 7 de julho, no Centro de Convenções do Obeid Plaza Hotel. Inscrições e outras informações podem ser obtidas pelo site www.ipjbr.com ou no escritório central do IPJBR (avenida Rodrigues Alves, 8-4, sala 404, Bauru), de segunda a sexta-feira, das 14h às 19h. Telefone: (14) 3223-2326.
Origem
A psicologia analítica junguiana tem como precursor o psiquiatra Carl Gustav Jung, que nasceu na virada do século 19, na Suíça. Considerado um visionário em relação à mente e ao conhecimento da alma humana, Jung criou uma escola psicoterápica denominada psicologia analítica ou psicologia profunda. Historicamente, esta escola iniciou-se junto à psicanálise, mas não demorou muito para que Jung percebesse que seu caminho divergia do movimento psicanalítico.
Jung se aproximou de físicos de destaque da época, como Einstein, e criou um diálogo entre física e psicologia. A partir daí, surgiram novos conceitos, como a questão da sincronicidade, termo criado por ele para a ocorrência simultânea de dois ou mais eventos ligados entre si pelo significado e não pela causalidade.
A psicologia junguiana priorizou as questões individuais e a busca de significados para a existência humana. Jung desenvolveu conceitos ainda em elaboração, como os de inconsciente coletivo, arquétipos e processo de individuação. “São aspectos característicos que distinguem a psicologia junguiana do conceito do processo de individuação: tornar-se si mesmo e buscar cada vez mais a unidade e o conceito de arquétipos, que são temas e vivências universais”, comenta a professora doutora e psicóloga Regina Paganini Furigo Jung. (CG com Redação)