08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Tribuna do Leitor


| Tempo de leitura: 21 min

PARABÉNS E NOS AJUDE POLÍCIA FEDERAL

É incrível, mas tenho que dar o braço a torcer! A Polícia Federal (PF) finalmente começou a trabalhar de forma explícita, mostrando resultados e eficiência, que até agora infelizmente só víamos ou ouvíamos em notícias de gangues e do pessoal do crime organizado. A PF mostrou que quando determinadas equipes e áreas da polícia querem trabalhar com sabedoria e dedicação, o resultado é o sucesso, e que o velho e conhecido jargão de que a polícia só prende pobre e analfabeto mudou porque agora até políticos de vários escalões, empresários, policiais, juízes estão sendo presos sem dó nem piedade, fazendo valer os direitos iguais dos cidadãos brasileiros. Mais uma vez, parabéns! O problema é que a Polícia Federal prende e o Judiciário liberta. Por inúmeras vezes essa semana a Polícia Federal nos mostrou o quanto erramos em nossos votos na escala estatual e federal, mas infelizmente nós eleitores só temos o poder de eleger e não de expulsar; para isso eles se protegem dentro de fóruns especiais, afastamento, CPIs, enfim, adiam ao máximo o julgamento e depois caem no esquecimento popular, pois acabam dando um jeito, um novo escândalo para abafar o deles, e nós, como bons brasileiros, esquecemos e nas eleições usamos as urnas eletrônicas como um verdadeiro “penico”, e depois ficamos aí assistindo ao show dos espertalhões indicados pelo povo, para afanar do povo e subir na vida pelo povo. Agora, esses políticos acuados começam a julgar imprópria ou irracional a atitude da Polícia Federal ao prenderem, tentando levantar a hipótese de abuso de autoridade, pois afetam e expõem suas verdadeiras personalidades, mostrando de onde enriqueceram e como o fazem, se já não bastasse o imenso salário, que de forma estranha sempre conseguem aprovar, com aumentos. Para isso os cofres não estão sem fundos, mas quando se fala em salário mínimo.... Bom, o importante é que mexeram na ferida deles e mostraram para eles como é ser cidadão comum. Gente, vamos pensar, refletir e apoiar cada vez mais essas atitudes da Polícia federal, e quem sabe da Civil também, quem sabe assim possamos viver melhor e confiar mais em quem nós elegemos para nos representar. Judiciário, por favor, analise bem essa situação. Ah, esperamos também que a Polícia Federal se lembre de uma cidade bem no Centro do estado de São Paulo, que olhem por nós, bauruenses! Aqui também tem muitos políticos de carreira. (Hayden Mariani - microempresário)

O PIOR É O ETC

Pobre quando não paga pensão alimentícia vai preso. Político, não. As empreiteiras pagam a pensão, o aluguel da casa da ex-mulher, flat, etc. O pior é que o pior é o etc. (Julio Diogo)

JUSTA HOMENAGEM A dois SERVIDORES EXEMPLARES

A entrevista com o Adelmo Bertussi (domingo passado, no JC) foi uma feliz oportunidade para que conheçam essa figura notável de servidor público. Muito se tem dito sobre maus servidores que não cumprem com presteza e eficiência suas obrigações. Mas o Adelmo resgata com sobras a figura do bom servidor, competente e humilde. Eu o conheci na Seplan, podendo testemunhar a eficiência, atenção e fina educação com que atende a todos. Como engenheiro do Departamento de Águas e Energia Elétrica em Bauru, quando tinha assuntos a tratar na prefeitura tive imenso prazer de privar com o mesmo e constatar sua grande capacidade em diversas áreas. E isto é reconhecido pelo meio técnico, que o tem como alguém capaz de executar trabalhos extremamente confiáveis, com grande perfeição. Infelizmente, no serviço público, muitas vezes, não se pode valorizar devidamente esses abnegados e competentes funcionários. É o caso de um excelente desenhista/projetista que trabalhou comigo em São Paulo - o sr. Fernando Ferreira da Silva. Exemplo incomum de dedicação e competência, não houve jeito de promovê-lo, dada a inexistência de função técnica compatível com sua escolaridade. Só consegui homenageá-lo com um elogio em prontuário ao se aposentar - na verdade, muito pouco pelo que merecia. Por tudo isso, parabenizo o Jornal da Cidade pela feliz escolha na Entrevista da Semana dessa grande figura que é o Adelmo, um exemplo de pessoa séria que dá conta de suas obrigações com muito amor e dedicação. (Roberto H. Salvadeu Cruz)

Movimento da Luta Antimanicomial: por que comemorar?

Sou sensível às questões colocadas pelo sr. Donzilio Quaggio (Tribuna do Leitor e pág. 10 - 24/05/07) em relação ao sofrimento cotidiano que deve ser a sua relação com sua esposa e filha, porém, tenho que discordar das questões relativas à proposta de manutenção do hospital psiquiátrico. Vejamos: a luta antimanicomial se construiu a partir das denúncias às violências a que eram submetidos os internos dos hospitais psiquiátricos nos meados dos anos 70 do século XX. Essa denúncias não eram as primeiras, pois históricamente desde o século XVIII essas instituições só tiveram como objetivo excluir e segregar os portadores de transtornos mentais. Nunca se teve alguma melhora dos sujeitos que foram internados. Um relatório da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal que percorreu os hospitais psiquiátricos do país no ano 2000 só confirmaram essa situação. Ou seja, mesmo após duas décadas, as denúncias se mantém atuais. Atualmente, vários hospitais são fechados pelo Ministério da Saúde pelos mesmos motivos. Portanto, mesmo em situação de “um beco sem saída”, não se justifica a internação. Porém, o senhor tem razão quando diz da falta de serviços adequados e suficientes para o atendimento dos portadores de transtorrnos mentais e de seus familiares. Em Bauru, a situação caótica na saúde pública não é novidade, o que implica em problemas com a atenção à saúde mental. Mas a falta de uma política mais firme nessa direção por parte do município não implica em dizer que as propostas do movimento antimanicomial são equivocadas.

Ao ampliarmos nossa questão para a política estadual, temos que lidar com uma prática extremamente perversa e de privatização do público. Nos anos posteriores à Constituição Federal de 1988, os sucessivos governos tucanos só desenvolveram ações para implodir o SUS e em relação à saúde mental só sustentaram os hospitais psiquiátricos, fazendo a manutenção da “Indústria da Loucura”. Em torno de 70% dos leitos psiquiátricos pertencem ao setor privado. A relação com os serviços de saúde pública não é de distribuição e alocação dos recursos de acordo com as necessidades e critérios, mas sim na velha prática do “pires na mão” sustentando os politicos populistas. Collor de Mello e Fernando Henrique Cardoso no governo federal só reforçaram a mesma coisa, ou seja, após a aprovação do SUS, temos um grande movimento de destruição do mesmo capitaneado pelo governo federal, justamente pela omissão. É só observar os índices da investimento no site do DATASUS e o crescimento dos planos e seguros de saúde nos anos 90.

Para finalizar, sabendo que essa questão demanda muito debate e informações, o movimento da luta antimanicomial foi vitorioso nos lugares onde foi implementado seriamente enquanto política de saúde mental (Santos, Campinas, várias cidades do Rio Grande do Sul e Minas Gerais) e possibilitou que muitos daqueles que estavam sendo maltratados, violentados na sua dignidade, sendo tratados como animais e condenados à morte em vida nos hospitais psiquiátricos, pudessem recuperar sua dignidade e direito à vida. Sr. Quaggio, venha se juntar a nós para implementar definitivamente os modelos substitutivos de atenção à saúde mental. Liberdade é coisa de louco, também! Atenciosamente. (Osvaldo Gradella Júnior).

MISTÉRIO DA JUSTIÇA

Clone de Márcio Thomaz Bastos, o atual ministro da Justiça, Tarso Genro, já dá mostras do porquê ter assumido aquela pasta no novo mandato de Lula. Ao eclodir mais um grande esquema de corrupção no governo, envolvendo todos os escalões, Tarso tentou minimizar a questão alegando que “não há nenhuma lista. Existe uma relação de centenas de pessoas que receberam mimos e brindes, como ocorre com qualquer empresa”. Na sua visão estrábica, uma empresa que mantém relações íntimas com o governo, especialmente com um governo que lhe paga por serviços na ordem de meio bilhão de reais, pode distribuir centenas de “mimos e presentes”. Algo comparável a você, leitor, ganha aquela bola mixuruca de plástico por ter abastecido no posto da esquina. Mas a questão não é tão simples assim. Quando se trata de administração pública, “mimos e presentes” são considerados propina e, como tal, deveria ser tratado como corrupção. Uma empresa que participa de licitações (ainda que fraudulentas) não teria porque dar mimos aos agentes políticos. Pior ainda. Os agentes políticos não deveriam, de forma alguma, aceitar brindes e presentes, mormente porque tais brindes não são “bolas de plástico”, mas carros, viagens ao exterior e depósitos vultosos na conta bancária. A grande derrocada da República é ter o Ministro da Justiça atuando como advogado de defesa dos crimes praticados no governo, desvirtuando a função do Ministério da Justiça, que deveria se chamar “mistério da justiça”. Embora tenha um órgão de inteligência para assessorar e buscar informações pregressas, obviamente, Lula também não sabia de nada. (Ivan Garcia Goffi)

Por que o muro da Ines não diz respondendo ao leitor

Porque a Ines está com o IPTU atrasado, então ela não pode ficar simplesmente criticando a prefeitura. Se ela e mais milhares de bauruenses estivesem em dia com o município com certeza a cidade não estaria este caos. Outra coisa: não escrevi no muro pois já havia sido feita a solicitação para que a praça fosse limpa. Como disse minha amiga Tatiana Calmon, agora as pessoas querem dar a pauta para o meu muro, só faltava essa ... Vamos pagar nossos impostos para depois criticar... (Maria Ines Faneco)

Passagens de nível e terceiro trilho

Os resultados da comitiva que esteve em Brasília, pelo que foi publicado na edição de ontem do JC, foram positivos, com o DNIT assumindo compromissos de efetuar uma vistoria na malha ferroviária da Ferroban/ALL, no trecho de Dois Córregos a Bauru. A discussão que ganhou evidência nos últimos tempos em Bauru se concentra nas passagens de nível, e no suposto risco de acidentes que as mesmas poderiam provocar, em particular a existente na Avenida Comendador da Silva Martha. Afastando qualquer especulação desprovida de rigor técnico, registramos que as passagens de nível existentes em Bauru não se constituem em barreiras físicas que dificultem a mobilidade de pessoas e veículos.

É certo, porém, que quando não estão funcionado de fato contribuem para que ocorram acidentes. Neste caso, as responsabilidades são compartilhadas, conforme prevê o regulamento geral de transportes. A instalação, conservação e manutenção das cancelas são de responsabilidade da concessionária, já a sinalização tanto horizontal quanto vertical é de responsabilidade do município. As medidas para o perfeito funcionamento da cancela na Avenida Comendador da Silva Marta são urgentes, tendo em vista que o departamento de operações da ALL determinou que a velocidade dos trens neste trecho deva ser no mínimo de 30 quilômetros por hora. Os maquinistas da Novoeste e da Ferroban estão por iniciativa própria reduzindo a velocidade a mais ou menos 400 metros antes de atingirem a passagem de nível para evitar acidentes, e estão sofrendo duras pressões da empresa que não admite a redução de velocidade. Também é bom ressaltar que existem muitos motoristas imprudentes: não param, não olham e muitas vezes mesmo escutando o apito da locomotiva atravessam a passagem de nível. Intrigante também foi a notícia da necessidade do terceiro trilho para que as cargas que venham de Mato Grosso do Sul cheguem ao porto intermodal de Pederneiras. Em 1998 a União e o Estado de São Paulo investiram milhares de dólares para colocar o terceiro trilho, que inclusive foi inaugurado com grande festa. Logo em seguida ocorreu à privatização da FEPASA, e neste terceiro trilho não circulou um trem. Onde foram parar então os trilhos? O sindicato durante todos estes anos denunciou que a concessionária Ferroban praticava canibalismo com equipamentos, e o fez também com os trilhos. Retirou os trilhos do trecho Bauru-Pederneiras, inviabilizando a operação do terceiro trilho. Cabe agora à ALL, controladora da Ferroban, recolocar os trilhos que foram comprados e instalados com dinheiro público. O custo de um quilômetro de malha ferroviária gira em torno de 800 mil dólares. De novo o erário vai pagar a conta? (Roque Ferreira - coordenador geral do Sindicato dos Ferroviários de Bauru, MS e MT- CUT)

PRIVACIDADE TEM LIMITE

Querida Maria Waldete de Oliveira Cestari, amei de paixão os adjetivos feitos ao nosso rei Roberto Carlos. Creia-me, jamais teria competência para tecê-los com tanta categoria. Mas pergunto-lhe: achar falta de dignidade não querer tornar público certos fatos da sua vida pessoal é forçar a barra. Saiba, cara, cada cabeça sua sentença. O respeito pelos próprios limites valem tanto para a mais insignificante pessoa como para a maior autoridade do mundo. Se você fosse mesmo fã dele, como eu, fã ardorosa, sabe que ele não quer certos detalhes de sua vida expostos e nós deveríamos respeitar tal posição porque sabemos pela mídia que ele procura através de tratamentos quebrar certos bloqueios emocionais que o perturbam. Se houve processo contra o autor da biografia é óbvio que a mesma não passou pelo crivo de sua aprovação antes de chegar às livrarias. Mas meu rei, o nosso rei (pois creio que somos da mesma idade pois recordo-me de todo fato ocorrido no Cine Jaú) tenha lá seu lado privativo e agora depois de sessenta anos querer torná-lo público é um mexerico de Candinha, mesmo... O caro escritor confundiu palavras e encontros (se é que teve) de amizade e carinho dispensado pelo rei com invasão de privacidade. Será que essa biografia seguiu os trâmites legais antes de chegar às livrarias? O nosso rei já não é aquele garoto ingênuo dos 60 anos atrás, pense bem, ele é muito bem assessorado. Se houvéssemos de condenar e menosprezar algum rei este seria Pelé, que deixou uma filha morrer sem ao menos ir vê-la. Flores para mortos que devem tirar uma coroa de um rei, mesmo assim quem sou eu para julgá-lo? Cara colega, repense, Roberto Carlos foi, é e será nossa grande divisa musical senão não estaria aí há tanto tempo. Ele é algo sublime! Divino! (Claire T. R. Nunes)

REDUÇÃO DA MAIORIDADE

A Comissão de Juistiça do Senado aprovou a antecipação da maioridade penal que obriga os delinqüentes juvenis de 16 anos, a cumprir pena de prisão no casos de crimes hediondos. O endurecimento da legislação penal, com aplicações severas, serve sem dúvida à diminuição da impunidade nos crimes praticados por estes jovens. Ninguém é bandido quando nasce, pois só se torna criminoso quem quer, trata-se de uma escolha. O jovem delinqüente, como um ser dotado de vontades, está apto a fazer opções, pois tem discernimento analítico do bem e do mal, o que o situa na fronteira da racionalização, que justifica seu crime e na consciência, que produz a sua culpa. O jovem entra no crime não por uma necessidade, mas por uma série de fatores negativos como: famílias desestruturadas, desemprego dos pais, evasão escolar, etc. Gostaria de ouvir a opinião dos pais sobre a redução da maioridade sobre seus próprios filhos infratores. Perguntar aos pais se querem recebê-los de volta, e se seus filhos querem voltar para o seio familiar. Quando vejo com meninos que ficam perambulando pelas ruas pedindo esmolas, ou mesmo se drogando ao invés de estarem estudando, vejo em seus olhos uma carência afetiva latente, uma fragilidade incomum, e convivendo nas esquinas da vida certamente fará deles um marginal amanhã. A questão da violência jamais será resolvida com leis mais punitivas. Acredito mais no trabalho sócio-educativo em cima dessas famílias, para não deixarem seus filhos de cinco ou seis anos vagando pelas ruas à mercê de pessoas mal-intencionadas. Os pais como vértices na educação de seus filhos precisam orientá-los dentro dos princípios ético-cristãos, para, sim, constituir uma família coesa, harmoniosa, com vínculos afetivos permanentes. Se porventura o objetivo não surtir o efeito desejado, que procurem através de órgãos públicos, tratamentos psicológicos para seus filhos, até que eles não mais ofereçam perigo à sociedade. Aos pais é necessário e dever colocar seus filhos para estudar, pois a escola ensina, qualifica o jovem para seu desenvolvimento sócio-profissional.

É imprescindível seguir uma religião, não importa qual igreja seja, o que importa são seus ensinamentos doutrinários para uma inclusão social, educacional e principalmente humana voltada para seu interior, para o caminho do bem. É preciso ressaltar que o preconceito que sofre o preso menor acaba interferindo na rotina da família, que se vê com exclusão provocada pela sociedade, por exemplo, a desconfiança generalizada. O que é inaceitável, é ver uma criança na rua por incompetência dos pais em não dar uma educação digna para seus filhos e depois justificar que é vítima das circunstâncias. Para um Brasil de paz, pais têm que dar amor aos seus filhos, para não ficar mais tarde discutindo, se aprovam ou não no Congresso a redução ainda maior da maioridade penal. Pense nisto. (Paulo Roberto dos Santos)

Os agudenses não são idiotas

Respondendo, pelo menos em parte, ao questionamento de Sonia Maria Santos Medeiros da Silva, publicado no JC de 23 de maio último, na Tribuna do leitor, posso afirmar como representante eleito do povo de Agudos, que os agudenses não são idiotas. Pois ao contrário do que aconteceu com a candidata Luiza Erundina ao pleitear a Prefeitura de São Paulo, eu cumpri a promessa feita em campanha quando me candidatei a prefeito de Agudos e implantei transporte circular gratuito. Quero dizer também que a citação do meu nome como exemplo pejorativo de “salvador da pátria” foi no mínimo infeliz e ignorante, no sentido de total desconhecimento da realidade da Administração Pública em Agudos. Outra infelicidade foi questionar se penso que Bauru é como Agudos, na questão de implantação do circular gratuito. Nunca afirmei se for candidato a prefeito de Bauru que daria transporte subsidiado. Em primeiro lugar porque cumpri todas as promessas feitas em campanha e nunca enganei nenhum eleitor meu, contando balelas ou mexendo com o emocional. Pelo contrário, sempre fui muito racional e objetivo em meus atos e discursos. Em segundo lugar, não utilizo de nenhuma “verborragia”. Aliás sempre fui muito simples e claro ao falar. Falo a língua do povo, lido diretamente com as pessoas, de todas as classes sociais e talvez por isso tenha sido reeleito com 70% de votos e tenha uma aprovação do meu governo em torno de 90% da população. Em terceiro lugar, como disse no início das declarações que responderia à pergunta de Sonia Maria, pelo menos em parte, quando ela questiona: “somos idiotas. Ou não?", é que não posso dizer sobre ela e as pessoas que ela inclui em suas citações, mas pelos agudenses que conheço e convivo todos os dias, posso dizer com certeza que eles não são idiotas, por isso me esmero em fazer o melhor por minha cidade e pelos cidadãos de Agudos, dignos e merecedores do meu respeito e do meu trabalho, não como “salvador da pátria”, mas como alguém comum, igual a todos que esforça para fazer jus à confiança recebida. (José Carlos Octaviani- prefeito de Agudos)

“O LIMBO É IMPROVÁVEL”

Esteios e baldrames de aroeira lavrados; tábuas rústicas de peroba, rejuntadas com mata-juntas. Assim era a casa de minha infância. Pior: havia uma guerra lá fora, que nos privava de querosene para as lamparinas; açúcar para adoçar o café; farinha de trigo para nossa alimentação. Dor maior: um irmãozinho com pouco mais de um mês de idade, prestes a falecer. Meus tios Aristóbulo e Maria Cecília chegaram apressados. Meu tio, com água e sal, fez o sinal da cruz na testa da criança, proferindo: “Eu te batizo, Sebastião Marcos, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.” Instantes depois meu irmão partia. Minha mãe, entre lágrimas, sentiu-se aliviada, porque o filho não iria para o “limbo”.

- O vô Theodoro disse que limbo, céu e inferno são apenas algumas palavras. Disse mais: que a morte é apenas uma travessia.

- Meu pai há muito vem pondo caraminholas em sua cabeça. Desde que se tornou amigo do professor Eurípedes Barsanulfo mudou completamente seu modo de pensar sendo, em matéria de religião, a ovelha negra da família. E já faz tempo!... Meu avô, no começo do século passado, com a intenção de facilitar os estudos dos filhos, mudara-se para a cidade de Conquista (Minas Gerais), ocasião em que se estabelece com uma pequena loja. Atendendo a opinião de pessoas amigas, contrata os serviços contábeis de um professor que morava em Sacramento e que vinha todas as quintas-feiras a Conquista para cuidar da contabilidade de firmas. Ganhou, assim, a confiança, amizade e simpatia de meu avô, a quem presenteara com o livro “Depois da Morte”, do escritor francês Léon Denis. Sobre a mesa de trabalho do meu avô, além do jornal do dia, três livros: “Depois da Morte”, “Aritmética do Trajano” e um “Atlas Geográfico Mundial”. Companheiro de todos os momentos, quando começou meu processo de alfabetização com a professora Eunice Canoa, ela assustou-se. É que eu dominava com precisão as quatro operações fundamentais, domínio absoluto da tabuada, isso aos sete anos de idade. Na condição de professor normalista, com curso de aperfeiçoamento, com excelentes professores, não consegui jamais o feito de meu avô, o maior professor que conheci! E mais: afirmava que não há base bíblica para se afirmar que as pessoas se salvam quando se batizam; o Salvador é o Senhor Jesus Cristo, a quem devemos confessar nossas faltas não as confessando a mais ninguém e que, mesmo sendo amigo pessoal do padre Luiz Ludovico de Santa Cruz, de Sacramento, jamais se confessara. Cursando o ginasial no Colégio Diocesano de Lins, da Congregação Salesiana, teria que pagar alto preço por recusar-me a confessar. Depois de tantos anos, jornal de grande circulação pública: “Após debate, igreja diz que limbo é improvável.” Minha mãe aprendera que “as crianças que nascem e morrem sem se batizarem, vão para o limbo, não têm salvação”. Há mais de sessenta anos!... E ninguém para consolar a angústia de minha mãe que chorou e ninguém para enxugar-lhe as lágrimas! Ninguém para dizer-lhe que o “limbo é improvável”... Onde estiver, minha mãe, peço-lhe a bênção e confesso: as “caraminholas” continuam em minha cabeça. (Álvaro Baptista Pontes - da Associação Paulista de Imprensa n.º 2.113)

ACREDITE SE QUISER!

Sendo uma engenheira florestal, atuando junto à Semma, trabalho diariamente com arborização urbana e demais assuntos relacionados ao meio ambiente. Milhares de pedidos para corte de árvores são feitos por moradores que se sentem de alguma forma prejudicados, quer seja pelas folhas que elas derrubam, quer seja pela sujeira que fazem com suas flores depois de embelezarem a rua com suas cores, quer seja pela sombra agradável que permite que pessoas desfrutem dela ocupando a “sua calçada”, quer seja pelos frutos que elas produzem que atraem animais frutívoros, quer seja pelo estrago que suas raízes fazem quando se sentem sufocadas pelos canteiros pequenos e por não conseguirem água e nutrientes... Dia após dia me deparo com árvores de todos os tipos e em todas as condições, sendo que “piores condições” são muito mais comuns que “boas condições”. A maioria das árvores que encontro sofrem os mais variados tipos de danos, ocasionados pelo mal-trato a que são submetidas (muitas vezes por ignorância, e outras, por puro vandalismo). Porém, um fato ocorrido recentemente foi por demais assustador, se não fosse triste. Numa dessas vistorias de solicitação de corte de árvore (no caso, já era um recurso de um indeferimento anterior, por outra engenheira florestal), encontrei o que há muito eu não via: uma sibipiruna de aproximadamente 6 metros, linda, com sua estrutura muito preservada e sem o que chamamos, em linguagem técnica, de brotações epicórmicas (brotos estes oriundos de podas mal feitas e danosas e que não possuem força estrutural), que são encontradas na maioria das árvores urbanas. Oriundos também desse tipo de poda, são cupins oportunistas que encontram ambiente propício para sua proliferação, porém que não condenam uma árvore à morte (como ter pulgas não condenam um cão ou gato, e piolho não condenam uma criança a ser sacrificada). Tal árvore, localizada no passeio público (calçada) de um imóvel na Rua Major Fraga, na quadra 2, teve seu abatimento indeferido, por questões óbvias de não possuir critérios para ser cortada. Critérios estes não somente visíveis a técnicos como eu e baseada em Lei Municipal, como por qualquer cidadão que possua uma certa consciência ambiental. Frondosa, equilibrada e saudável. Porém, indignado com 1 indeferimento, o interessado no corte desta árvore solicitou a um funcionário público que tomasse informações sobre oprocesso de recurso, e sabendo que este seria indeferido novamente foi agressivo e ofensivo. Criticou minha postura de engenheira florestal em relação a proteger a árvore (proteção esta baseada em leis, conhecimentos técnicos-científicos e práticos). Criticou o meu ideal profissional que é me dedicar à arborização urbana e consequentemente à melhoria da qualidade de vida dos cidadãos. Criticou todo o funcionarismo público, dizendo: “você deve ser uma péssima profissional, pois se fosse boa, não trabalharia na Prefeitura de Bauru”. Sendo que ele mesmo, acredite se quiser, é um funcionário público, como eu. (Marcela Bessa, engenheira florestal)