08 de julho de 2026
Articulistas

Tempos Modernos

Ricardo Henrique Alves da Silva
| Tempo de leitura: 2 min

Charles Chaplin, em um dos seus clássicos filmes, “Tempos Modernos”, dentre as várias cenas maravilhosas, mostra, em uma delas, o personagem sendo arrastado pelas engrenagens das máquinas de uma fábrica.

Se pensarmos na realidade da modernidade que hoje convivemos e da qual nos orgulhamos imensamente, podemos metaforizar, pois parece que cada vez mais somos carregados por essas engrenagens, sem percebermos, efetivamente, até onde isto irá nos conduzir.

Acredito que só pessoas desinformadas ou, no mínimo, muito intransigentes, negariam os valores, principalmente materiais e, também, em termos de qualidade de vida, que agremiamos. Hoje podemos fazer contato com qualquer lugar, em qualquer parte de mundo, em frações de segundos. Abolimos as distâncias, graças aos meios de transporte, a internet e à agilidade dos meios de comunicação. Também é notório que vivemos mais, temos mais conhecimento sobre o nosso organismo, haja vista a cura de tantas doenças, a conclusão do Projeto Genoma e o enorme desenvolvimento dos laboratórios farmacêuticos. Evoluímos tanto que, até conseguimos “prever” o que o futuro nos reserva, ou seja, atribuições antes exclusivas dos denominados profetas ou videntes, podem ser realizadas pelos cientistas e pesquisadores, provando suas teorias e mostrando que, se não agirmos dessa ou daquela maneira, teremos uma ou outra conseqüência.

Pois bem! Mas pensando nesses tais tempos modernos e toda a sua evolução, algumas coisas chamam a atenção, caro leitor, e gostaria que você refletisse sobre a nossa realidade! Imagine as seguintes situações: a) Um jovem sentado em um ônibus (ou qualquer outro veículo coletivo para transporte de passageiros), depara-se com um idoso e não há lugar disponível para ocupar, como você imagina que será a reação desse jovem? Permanece sentado e “finge” que não vê, ou cede o lugar ao passageiro idoso?

b) Uma pessoa, ao chegar a seu carro estacionado em alguma via pública da cidade, percebe alguns panfletos fixados em seu pára-brisa, o que essa pessoa fará com os papéis? Retira-os do vidro e joga na rua, ali mesmo, ao lado do carro, ou coloca-os dentro do carro e joga no lixo em sua casa ou trabalho?

c) Um indivíduo, em posição superior, e que possui um subordinado de ótima qualidade, boas idéias e um enorme ímpeto de trabalho, o que faria? Investiria nesse funcionário, pensando no retorno que haverá para a empresa ou instituição, ou fecharia as portas, imaginando estar criando um novo “concorrente”?

É, caro leitor, se as nossas respostas nos conduzirem para a segunda alternativa, nas perguntas acima mencionadas, precisamos “começar” a refletir sobre o quanto realmente evoluímos! Assim como disse Martin Luher King, “aprendemos a voar como pássaros, a nadar como peixes, mas não aprendemos a conviver como irmãos”. Pense nisso! (O autor, Ricardo Henrique Alves da Silva, é cirurgião-dentista, professor universitário e consultor em saúde)