09 de julho de 2026
Internacional

Venezuela vai às ruas em apoio a TV

Brian Ellsworth - Reuters
| Tempo de leitura: 2 min

Caracas - Com bandeiras da Venezuela e faixas em apoio ao canal de televisão RCTV, milhares de pessoas fizeram uma passeata pacífica ontem para mostrar descontentamento com a iminente saída da emissora do ar, depois que o governo do país decidiu não renovar a concessão.

Pelas principais avenidas de Caracas, os manifestantes gritaram frases de apoio à RCTV e em defesa da liberdade de expressão. A passeata chegou à sede do canal, onde alguns de seus artistas fizeram breves pronunciamentos. “Precisamos ter a verdade nas mãos e poder ligar a televisão e saber que podemos ver o que queremos ver”, disse Karl Hoffman, ator de telenovelas. O governo venezuelano, que tem acusado a RCTV de “golpista”, decidiu que a concessão da emissora será passada a uma televisão de serviço público, que críticos temem que se converta em um novo meio de propaganda estatal.

Além disso, na sexta-feira, o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) ordenou aos militares para controlar equipamentos de transmissão de propriedade do canal para garantir a continuidade da operação da freqüência operada pela RCTV.

Adversários do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, consideram a medida uma retaliação política à dura linha editorial da emissora contra Chávez. “Isso que está acontecendo é simplesmente uma mutilação da língua de um canal de televisão”, disse Gledys Ibarra, atriz de telenovelas da maior competidora da RCTV, a Venevisión.

Chávez denunciou no sábado que seus adversários buscarão desestabilizar o país, mas garantiu que tem um plano de contra-ataque para enfrentá-los, se necessário.

“Se vocês pensarem em criar atos de violência, vocês vão se arrepender, senhores da oligarquia venezuelana e seus mestres no império norte-americano”, disse Chávez. Ele freqüentemente chama os Estados Unidos de império decadente.

A RCTV afirmou em comunicado que a decisão do tribunal constitui um “seqüestro de equipamentos” e assegurou que vai parar de transmitir sua programação antes da meia-noite do domingo para cumprir as ordens do governo.

Há anos as emissoras de televisão da Venezuela posicionam-se com virulência contra Chávez e apoiaram abertamente o golpe de 2002, que o tirou do poder brevemente. Apesar disso, mais recentemente, a mídia começou a recuar diante de um governo cada vez mais poderoso. Chávez disse anteontem que renovou as concessões de outras quatro emissoras de TV, incluindo a Venevision, acusada pelo governo de ter cometido muitos dos mesmos crimes que foram citados na negativa de renovação da licença da RCTV.

O ministro das Telecomunicações, Jesse Chacon, disse na sexta-feira que o governo precisa do espectro de transmissão da RCTV para o novo canal público porque a emissora tem a maior cobertura do país.