O maior câmpus da Universidade Estadual Paulista (Unesp) está totalmente paralisado a partir de hoje. Em assembléia realizada ontem à tarde, mais de 60 professores das três faculdades do câmpus de Bauru optaram por iniciar uma paralisação seguindo os funcionários da instituição, que pararam suas atividades no último dia 22. Uma assembléia convocada pela Associação dos Docentes da Unesp (Adunesp), que será realizada amanhã, irá ratificar a deliberação dos professores. Após a decisão dos professores, ainda na noite de ontem os alunos da Unesp também aderiram ao movimento.
No câmpus da Universidade de São Paulo (USP), grande parte dos funcionários da Faculdade de Odontologia (FOB), do Centrinho e da Prefeitura do Câmpus Administrativo de Bauru (PCAB) também entraram em greve por tempo indeterminado a partir de ontem. A decisão havia sido tomada em assembléia realizada na última terça-feira.
Nos dois casos, a principal reivindicação dos funcionários das universidades é a revogação dos decretos do governador José Serra (PSDB) que acabam com a autonomia das universidades estaduais paulistas. Pelos decretos, as universidades são definidas como órgãos submetidos às secretarias estaduais, ou seja, contratações, pagamentos, manutenções, ampliações e qualquer atitude tomada pela universidade seriam submetidas a aprovação prévia do governo.
Segundo Milton Vieira do Prado Júnior, professor do curso de educação física da Unesp de Bauru e presidente da seção sindical da Adunesp, a paralisação também é um protesto por mais recursos para as universidades públicas e pela lei de diretrizes orçamentárias (LDO). Completam os principiais pontos da pauta de reivindicações de professores e funcionários o reajuste salarial e a contratação de mais funcionários, esta última também defendida pelos alunos da instituição.
Antes de Bauru, os câmpus de Unesp em Araraquara, Assis, Marília e Ilha Solteira já haviam parado. O de Rio Claro, onde já havia protetos, deveria definir ontem pela paralisação, de acordo com Prado Júnior. Em Franca, alunos ocuparam a sala da vice-diretoria.
Até o fechamento desta edição, os alunos do câmpus da Unesp ainda decidiam qual postura adotariam durante o período de paralisação, segundo Tiago da Silva Rovai, aluno de psicologia e membro do Diretório Acadêmico da Faculdade de Ciências (FC), que participava da assembléia iniciada às 18h30. “A greve está decidida mas ainda não foi acertado se vamos fazer alguma manifestação, se vamos a São Paulo...”, disse ontem à noite.
USP
O início da paralisação dos funcionários da USP foi comemorado pela diretora estadual do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), Marina Costa Moreira. Segundo ela, a adesão foi boa para o primeiro dia, já que muitos serviços foram paralisados. Moreira espera que o número de funcionários em greve aumente nos próximos dias.
Ao contrário da Unesp, os professores e alunos da FOB, pelo menos até ontem, não haviam demonstrado intenção de suspender suas atividades. A sindicalista espera que essa situação mude. “Não dá para ficar de braços cruzados. Estamos fazendo nossa parte”, disse, lembrando que a reitoria da universidade, em São Paulo, continua ocupada.
Justiça x decretos
Após mais uma reunião que terminou em impasse entre o governo de São Paulo e os alunos que ocupam a reitoria da USP há 26 dias, o secretário da Justiça, Luiz Antônio Marrey, disse ontem que os manifestantes devem ir à Justiça para tentar reverter as medidas que eles entendem ser ilegais. “Os alunos colocam que há inúmeras inconstitucionalidades. Eu coloquei, então, que a forma própria de contestar esses textos é ingressar no Poder Judiciário”, disse Marrey. O secretário afirmou que os decretos não ferem a legislação, mas que aceita “propostas da sociedade”. Para avançar na negociação com os manifestantes, porém, Marrey disse que eles têm de sair da reitoria. A Justiça concedeu no dia 16 um pedido de reintegração de posse, decisão ainda não cumprida. Para o diretor do Sintusp, Magno de Carvalho, o “governo quer empurrar o caso para a Justiça para arrastá-lo por anos”. (Folhapress)
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Unicamp terá prova enxuta
Os candidatos que prestarem o vestibular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) a partir deste ano vão encontrar provas mais leves. Apesar do número de questões continuar igual, 12 em cada prova, a Comissão Permanente para os Vestibulares (Comvest) vai fixar o número de itens por questão em dois. Antes, a quantidade de itens a ser respondida não era fixa e podia chegar a 36, como no caso de geografia no vestibular passado.
Agora, serão 24 itens em todas as provas (primeira e segunda fases). Além de um número definido, os candidatos passam a saber o valor exato de cada item: dois pontos. Desta maneira, cada questão passa a valer quatro pontos e cada prova passa a valer 48 pontos. De acordo com o coordenador da Comvest, professor Leandro Tessler, a medida tem o objetivo de trazer mais transparência aos candidatos e praticidade às bancas corretoras.
A Comvest anunciou também uma mudança com relação à utilização da nota do Enem na primeira fase do Vestibular Unicamp. A Comvest passa a aceitar a nota obtida no componente de conhecimentos gerais do Enem para compor a nota final da primeira fase apenas dos candidatos que não zeraram na redação do Enem. (Da Redação)