08 de julho de 2026
Geral

Insulina inalável chega a Bauru

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 3 min

Diabéticos dependentes de insulina precisam tomar até seis injeções diariamente para manter a doença controlada (dependendo do caso, a quantidade pode ser maior). A partir da próxima semana, os pacientes de Bauru - a estimativa é que 9,5 mil pessoas sejam diabéticas na cidade - poderão reduzir até pela metade o número de picadas. Uma farmácia da cidade, localizada na quadra 5 da avenida Getúlio Vargas, vai passar a vender o kit para utilização do medicamento em forma inalável.

Apesar de ser estudado há mais de 10 anos, o remédio só começou a ser comercializado no ano passado em países da Europa e América do Norte e somente agora chega ao Brasil. O aparelho é simples: trata-se de um dispositivo compacto onde é inserido uma dose de insulina, em pó. Através da ativação de um gatilho, o compartimento onde está a insulina se abre. A pressão leva o medicamento para uma câmara. Então, o paciente apenas aspira o ar contido no compartimento, segura-o durante cinco segundos no pulmão e já está medicado.

Esse tipo de tratamento é indicado a diabéticos que fazem uso da insulina de reação rápida (que atinge o pico de atividade em até duas horas). Segundo a médica endocrinologista Luciana Colnago Gonçalves, a maior parte dos pacientes faz uso dos dois tipos de medicamento (de ação rápida e de ação longa), levando até seis picadas por dia. “Quem precisa tomar três injeções de cada tipo, por exemplo, reduziria as intervenções na pele pela metade”, afirma.

Além da eliminação das incisões na pele, como o hormônio é disponibilizado na forma de pó, fica mais resistente às ações do tempo. “Ele tem o mesmo efeito das injeções de ação rápida, mas não precisa ser refrigerado. Isso facilita o carregamento para qualquer lugar e elimina a preocupação com a manutenção do produto em condições indicadas para o uso”, conta a endocrinologista.

Precoce

Para a especialista, o aparelho pode até mesmo reduzir o número de pacientes com complicações em virtude do diabetes. “Muitos pacientes que fazem tratamento de controle com remédio via oral têm resistência em começar tratamento com insulina exatamente pelo fato de ser injetável. Com isso, o hormônio começa a ser usado de forma tardia, quando o problema já está em fase mais avançada”, explica.

Por enquanto, ainda existem diabéticos que não podem usar o novo método de medicação porque a bateria de estudos a que foi submetido o produto (para a liberação) ainda não chegou ao fim. Gestantes, menores de 18 anos, fumantes ativos e portadores de doenças pulmonares – principalmente bronquite, asma e efisema pulmonar – não podem inalar a insulina. “Faltam algumas comprovações a serem realizadas ainda, mas acredito que dentro de pouco tempo ela já estará disponível para os menores”, prevê a médica.

Apesar das vantagens que do método de medição, ele tem um defeito: o preço. De acordo com a empresa detentora da patente do produto, o tratamento inalável é, em média, 30% mais caro, se comparado, na mesma proporção, ao método injetável.

Também saem perdendo os pacientes de baixa renda, que recebem insulina para tratamento do diabetes através do Sistema Único de Saúde (SUS), que por enquanto não dispõem de remédio inalável. O aparelho para aplicação custa R$ 478,50 e vem com 30 cápsulas do medicamento - depois só é comprado o refil.

Deficiência

O diabetes é uma doença causada pela deficiência do pâncreas em produzir ou usar a insulina. O hormônio foi isolado pela primeira vez em 1921, na Universidade de Toronto (Canadá), pelo cirurgião Frederick Banting e pelo estudante de medicina Charles Best. Trata-se de um dos mais importantes avanços da medicina de todos os tempos, que rendeu a ambos o Prêmio Nobel de Fisiologia naquele ano.

Eles conseguiram isolar o hormônio através de extratos de pâncreas de cães e o testaram inicialmente nesses animais. (LG)