10 de julho de 2026
Regional

Lins monitora déficit habitacional

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 4 min

Lins - A Diretoria de Habitação de Lins (a 102 quilômetros de Bauru) está realizando o levantamento do déficit habitacional do município. O objetivo é definir o número de novas casas a serem construídas na cidade. A falta de moradias chegou a tal ponto que uma única empresa local possui mais de 4,5 mil trabalhadores que vivem fora de Lins pois não encontram casas suficientes para residirem no município.

A falta de moradias é um problema que há tempos vem tirando o sossego da administração municipal. Devido a isso, o prefeito Waldemar Sândoli Casadei (PMDB) iniciou, há alguns meses, diversas negociações com empresas, bancos e com o Governo do Estado para tentar amenizar o déficit habitacional do município.

De acordo com o prefeito, o município não tem condições financeiras para desapropriar terrenos e realizar a infra-estrutura para a construção das moradias. “Por isso que eu busquei empresas que já fazem isso da forma que eu quero, ou seja, elas vão ao banco, levantam todo o recurso necessário e fazem todo o empreendimento. A prefeitura só dá a cobertura e o apoio, levantando a necessidade e cadastrando as pessoas”, resume Casadei.

Segundo o prefeito, a município já tem experiência positiva de parceria na construção de casas com empresas. Exemplo disso é a construção das mil unidades no Núcleo Monselhor Paseto. “É o maior núcleo habitacional que tem aqui. Foi um sucesso total e atendeu as necessidades”, comemora.

No último domingo, a Diretoria de Habitação deu início ao pré-cadastramento dos interessados em possuir a casa própria. “Com isso será possível definirmos quantos núcleos habitacionais serão construídos, uma vez que não pretendemos construir todas as casas num mesmo local. Com as informações nas mãos, daremos início ao processo final de negociação com as empresas e bancos”, explica o prefeito, ressaltando que ainda nesta semana deve receber alguns empresários que já estão fechando o financiamento com os bancos.

Casadei não descarta também parcerias com a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) de Bauru. O problema é que, segundo ele, o órgão exige que o município doe o terreno para a construção das moradias.

“Se eu tivesse recursos eu já teria adquirido a área, doado e feito as casas. Acontece que eu não tenho recursos para adquirir essas áreas. A União e o Estado tiram do município uma quantidade brutal de recursos e depois ainda querem que o município também forneça o terreno, infra-estrutura toda com asfalto, guias, sarjeta, iluminação e águas pluviais. Eu sou absolutamente contrário”, critica Casadei.

Segundo o gerente regional do CDHU, Carlos Roberto Ladeira, o órgão vem mantendo entendimentos com a prefeitura de Lins com o objetivo de estabelecer convênios para a construção das moradias. “Estamos aguardando o levantamento do déficit habitacional”, explica Ladeira.

Pré-cadastro

O pré-cadastro dos interessados na casa própria pode ser feito de segunda a sexta-feira, do meio-dia às 17h, na Coordenadoria de Promoção Social, no bairro do Junqueira (atrás da Cermaco). Conforme informou a assessoria de imprensa, trata-se apenas de um levantamento, sendo que a inscrição final para os interessados em adquirir suas casas deverá ocorrer após o final das negociações.

Esses interessados serão convocados posteriormente para uma confirmação formal. Somente no primeiro dia de pré-cadastramento, no domingo passado, cerca de 300 pessoas compareceram no Parque das Américas, durante o evento “Você e o Prefeito”, para se inscreverem. As inscrições iniciais não têm qualquer restrição. Todos que moram em Lins pagando aluguel ou em casa de parentes ou mesmo os que residem em outras cidades da região podem se inscrever até a próxima sexta-feira.

Durante a coletiva de anúncio do pré-cadastro, na semana passada, o prefeito Casadei apresentou números referentes aos trabalhadores do Grupo Bertin que não moram em Lins por falta de habitação na cidade. Segundo ele, muitos funcionários do Grupo moram em Cafelândia, Promissão, Guiaçara, Guaimbê e outras cidades da região sendo que todos os dias têm de viajar para trabalhar. O número de pessoas que exercem suas funções em Lins e residem fora do município, somente nesta empresa, já teria superado a marca de 4,5 mil trabalhadores.

“Ninguém sabe exatamento quantas casas estamos precisando. E não sabemos exatamente para que faixa de salários (serão destinadas as moradias). Estamos fazendo este levantamento para que este núcleos sejam compatíveis com a necessidade de nossa população”, conclui o prefeito.