09 de julho de 2026
Política

Químicos desenvolvem uma tinta antipichação

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

Uma tinta que não deixa a pichação se fixar e a sujeira pode ser limpa com apenas água e sabão, dispensando ainda a utilização de solventes. Esse foi o produto desenvolvido pelos químicos Francisco Lira e Hildebrando Lucas para evitar que os atos de vandalismo praticados por pichadores possam danificar os patrimônios. E acredite: a tinta antipichação foi criada após a observação da capacidade das folhas existentes na natureza se manterem limpas.

“Sempre foi vontade nossa ter um produto que permitisse remover as pichações. Avaliamos vários aspectos para achar um caminho e um deles foi descobrirmos os motivos das folhas estarem sempre limpas. Percebemos que elas são autolimpantes em virtude de sua conformação molecular, que permite uma área pequena de contato entre a sujeira e a folha”, explica Lira.

Com elas como inspiração, os químicos pesquisaram diversos aditivos com moléculas parecidas com as das folhas e, ao final do processo de análises, criaram uma tinta com capacidade antiaderente que pode ser aplicada em vários tipos de superfície, como concreto e metal, entre outras. “Como as bases dos sprays usados nas pichações são solventes, precisávamos de um novo solvente para diluí-lo. E esses aditivos também tinham de conferir grande resistência química, pois tinham de suportar a adição dos solventes. Assim, até lançarmos a primeira amostra demorou um ano e colocamos no mercado no final de 1998”, conta Lira.

No entanto, o químico esclarece que a primeira versão da tinta antipichação não era aceita nos mercados europeus em virtude da necessidade de acréscimo dos solventes. Por isso, os químicos desenvolveram um produto que dispensasse tal adição do componente químico, o que eles conseguiram lançar recentemente no mercado. “A novidade agora é que, pela primeira vez, foi lançada uma tinta antipichação que pudesse ser removida sem solventes”, destaca.

Apesar de suas vantagens para as vítimas dos pichadores, a tinta antipichação tem no preço o seu grande obstáculo à sua popularização e utilização. Segundo Lira, um galão de 3,6 litros, que protege cerca de 20 metros quadrados, custa cerca de R$ 150,00. O fato é reconhecido pelo químico, mas ele considera que o custo-benefício do produto ainda é compensador.

“Hoje qualquer fator econômico é um obstáculo no País, mas as pessoas que mais se incomodam com pichação estão em uma faixa etária em que isso não é problema, além de grandes redes e estabelecimentos. O custo-benefício compensa, pois com ela não se está protegido apenas contra pichações, mas também contra graxa, óleo, sujeira, pneus de bicicleta, fumagem, fuligem, chuvas ácidas e raios ultravioleta”, sustenta Lira. E completa: “Mas realmente temos certa dificuldade com esse produto, pois ele não é muito conhecido ainda. Mas temos expectativa de, daqui a um ano, produzir entre 20 mil e 40 mil litros mensais dessa tinta.”

O elevado preço da tinta antipichação é realmente o maior empecilho ao seu uso em larga escala pela população. Prova disso é que, em uma rápida pesquisa feita pela reportagem do JC em estabelecimento do ramo, em apenas um a tinta antipichação convencional, que necessita de solventes, era comercializada. “Ela não é barata mesmo. Tanto que a procura por ela é muito pequena e só a adquire quem realmente já não agüenta mais ter sua residência ou estabelecimento comercial pichado. Trabalho há dois anos aqui e não vendemos mais do que cinco ou seis galões por mês”, informa um vendedor de uma loja de tintas.

Mais informações sobre a tinta antipichação podem ser obtidas pelo e-mail impercol@uol.com.br.