10 de julho de 2026
Geral

Até 34 anos, há mais homens em Bauru

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

A falta de homens no mercado é praticamente consenso nos bate-papos de solteiras com idade inferior aos 34 anos. O curioso é que em Bauru a avaliação não é real. Segundo pesquisa da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), até essa faixa etária, a presença masculina é maior que a feminina.

Somente a partir dos 35 anos é que a situação se inverte e fica mais difícil para elas. No cálculo geral, existem 7.682 mais mulheres do que homens no município. O número é ainda mais gritante quando o foco é o Estado de São Paulo. São 860 mil mulheres a mais em relação ao número de homens. Em Bauru, a maior diferença entre os sexos é observada a partir dos 75 anos.

Mas mesmo antes dessa idade, elas já predominam. No Conselho Municipal da Pessoa Idosa, a presença feminina é maioria, confirma Ubaldo Benjamin. De acordo com ele, numa rápida observação despretensiosa em programas de lazer para a terceira idade, dá para estimar que elas representam até 80% dos participantes.

Ainda assim há quem encontre um companheiro. Uma aluna da Universidade da Terceira Idade da Universidade do Sagrado Coração (USC), por exemplo, está em vigem pela Alemanha com o namorado, Stefan Piesker, que é de lá. Eles se conheceram na USC, assim como um outro casal. No entanto, foram apenas esses dois casos em 13 anos de existência da Universidade da Terceira Idade, explica a coordenadora Gislaine Fantini.

Com o passar dos anos, a “maré” beneficia mesmo os homens. Não tem dúvida disso Altair Taborda, 55 anos, que encontrou sua cara-metade. Ela com 43 anos. “Vamos fazer um ao outro feliz”, diz. Também tem a expectativa de viver um romance com final feliz a advogada Mayra Fernandes da Silva, 27 anos. “Tem pouca gente interessante (do sexo oposto) disponível e muito homossexual”, reclama.

De acordo com ela, a avaliação é geral entre as mulheres solteiras. Mas as casadas enxergam o problema de outro modo. Apontam as colegas sem par como muito exigentes, comenta Mayra. Curiosamente, seus pais, que são separados, têm outros relacionamentos.

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Mortalidade e migiração

A diminuição da presença masculina em Bauru com o passar dos anos está ligada a dois principais fatores: mortalidade e migração. A avaliação é do antropólogo Cláudio Bertolli Filho, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

“Historicamente, os homens assumem papéis mais arriscados, a violência é maior. Tem o problema do desgaste da força de trabalho. Eles tendem a desempenhar funções no trabalho que há maior consumo do corpo. (Isso) acaba repercutindo em idades mais avançadas. A tendência deles morrerem mais cedo do que as mulheres também se deve a isso. Mas a migração deve ser levada em consideração na nossa região”, acrescenta.

De acordo com Bertolli, a razão entre os sexos seria diferente não fosse o interesse masculino em buscar melhor inserção de trabalho em centros urbanos maiores. “Ele tem uma maior abertura de horizonte”, afirma, referindo-se inclusive aos jovens. O professor ainda cita a idade como outra razão para a mudança de cidade. Alguns idosos têm transferido suas moradias para municípios pequenos e tranqüilos.

“Assis, por exemplo, é pensada como reduto de idosos. Existe uma série de variantes quando se fala em demografia. São muito difíceis de analisar”, conclui.