08 de julho de 2026
Geral

Escola busca arte e combate pichações

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 2 min

Os problemas com pichações nas áreas externa e interna da escola Ada Cariani, no Mary Dota, estão com os dias contados. Cansada de lutar contra o vandalismo, a direção do colégio resolveu ceder à arte e optou em disponibilizar áreas para que ex-alunos fizessem grafite nas paredes. Ao notar que essas áreas enfeitadas passaram a não ser mais alvo de sprays e rolinhos alheios, a iniciativa foi estendida para todos os muros da instituição.

Num passeio nas dependências da escola é possível verificar esse respeito para com a arte. Paredes repletas de inscrições praticamente indecifráveis contrastam com muros coloridos que muitas vezes transmitem mensagens interessantes.

Os idealizadores da iniciativa escolheram um ex-aluno e um aluno atual do colégio para fazer os desenhos. O intuito, além de preservar o prédio, é evitar que os jovens fiquem na rua, ajudar no desenvolvimento de suas habilidades e mostrá-los como exemplo aos demais colegas (atuantes e atentos ao papel que desempenham como cidadãos).

“Aqui (no bairro) não tem muito lazer. Além disso tem pouca oportunidade de emprego. Com isso, as pessoas acabam ficando à margem. A iniciativa é importante para eles se sentirem dentro do convívio da comunidade e da escola, porque isso é de todos eles”, afirma Salvador Rodrigues, professor do Ada Cariani e coordenador do grupo de grafitagem.

O colégio comprou um mini compressor de ar, as tintas e cedeu todo o espaço para Luis Gustavo Martins (que gosta de ser conhecido à maneira que assina seus trabalhos: LGM), de 20 anos, e Fábio Henrique Cardoso, de 19 anos. Eles se comprometeram a fazer o trabalho de forma gratuita. Mesmo sem ter feito nenhum curso, eles já são considerados profissionais da área em virtude da experiência de mais de 10 anos de pintura e dos constantes trabalhos feitos na vizinhança.

“As pessoas vêem o grafite com maus olhos. Nós apenas tentamos passar uma informação de uma maneira que todos possam entender”, explica LGM. “Trabalhos como esse servem para mudar a visão de muita gente que acredita que o grafite estimula a pichação”, completa Cardoso.

LGM critica o poder público e a população pelo estado de abandono da cidade. “Bauru está devastada porque as pessoas não têm interesse. Todo mundo tem que se conscientizar e parar de ficar de mão abanando. Se todos quiserem agir, dá para fazer um bom trabalho”, opina o rapaz, que já pichou muros e hoje se sustenta fazendo arte sobre eles.