11 de julho de 2026
Geral

Pais de João Hélio virão para passeata organizada pela família de ‘Jorginho’

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 3 min

Está programada paraeste sábado, às 15h, uma passeata pela paz organizada pela família do mecânico Jorge Luiz Lourenço, 22 anos. Ele foi atingido na cabeça por um projétil disparado pela Polícia Militar (PM) no dia 5 de abril. Hoje faz dois meses que o rapaz morreu. Para participar do ato, os pais de João Hélio, Vieites, 6 anos, virão para Bauru. João morreu depois de ser arrastado por sete quilômetros preso ao cinto de segurança do carro de sua mãe que tinha acabado de ser roubado.

Os participantes da passeata – familiares das vítimas, voluntários e amigos – sairão da praça Rui Barbosa e percorrerão as quadras do Calçadão da Batista com faixas e cartazes com frases de paz. Eles também irão vestir camisetas com fotos de Jorginho (como era chamado pelos amigos) e de João Hélio. Pelo menos 50 pessoas, até agora, já confirmaram participação na passeata.

Entre elas, a contadora Karina Agnelli. Assustada com a violência no País e sensibilizada pelas famílias das vítimas, ela decidiu participar do grupo Anjos pela Paz, entidade formada no início deste ano, no Rio de Janeiro. “Tenho um filho de 3 anos e penso em como será o futuro dele. Nosso objetivo é pressionar o governo para que os culpados por crimes sejam presos e não sejam libertados rapidamente”, argumenta a voluntária na campanha pela paz.

Ela lembra também de outro caso que chocou o País no final do ano passado. O menino Vinícius Faria de Oliveira, de 5 anos, que morreu pois teve 90% do corpo queimado. Ele estava com os pais dentro de um carro que foi incendiado por assaltantes em Bragança Paulista, no Interior do Estado. “São casos que não podem ser esquecidos. Por isso o motivo da passeata em Bauru”, ressalta Agnelli.

A irmã de Jorginho, Cassiana Lourenço, 20 anos, disse que daqui para frente a família vai participar de outros atos em prol da paz. “Já fizemos passeata em Bauru e participamos de outras atividades na cidade. Mais do que nunca vamos participar de atos contra a violência”, diz. O irmão dela já tem comunidades no Orkut e os familiares recebem mensagens de ânimo diariamente. Mas o que a família mais quer é justiça. “Quero ver os culpados presos. Até agora, no passo que estão as investigações, acho que isso vai acontecer”, diz.

Em Bauru, a família de João Hélio será recebida pelo major Nelson Garcia, no Batalhão da Polícia Militar do Interior (BPMI), na sexta-feira pela manhã. A campanha de desarmamento infantil, que recolheu armas de brinquedo, este ano fez homenagem ao garoto. Quem se interessar pelas ações contra a violência pode acessar o blog www.anjos pelapaz.zip.net e as comunidades do orkut ‘Joãozinho pede justiça’ e ‘Justiça João Hélio – Oficial’.

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Investigações

Conforme o Jornal da Cidade divulgou na semana passada, além de indiciar por homicídio doloso os três policiais envolvidos na morte de Jorginho, o inquérito da Polícia Militar (PM), concluído no dia 31 de maio, aponta também que a cena do crime teria sido forjada pelos policiais, que ainda cometeram transgressões disciplinares.

Segundo o documento, eles descumpriram as normas da corporação ao realizarem perseguição policial, inclusive com arma de fogo, em via pública. Há dois meses, a guarnição acompanhava o suspeito que pilotava uma motocicleta pela avenida Rosa Malandrino Mondelli, sentido Centro-bairro. Ele não parou o veículo conforme determinaram os policiais e foi atingido na cabeça por um projétil disparado por um deles.