08 de julho de 2026
Nacional

USP vive atos pró e contra ocupação

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - Atos de grupos contrários e favoráveis à ocupação da reitoria da Universidade de São Paulo (USP) foram realizados na manhã de ontem e acabaram em bate-boca entre os manifestantes. A confusão ocorreu no momento em que os dois grupos se encontraram na praça do Relógio, onde está localizada a antiga reitoria e local que abriga atualmente o Coordenadoria de Comunicação Social (CCS) da universidade.

O prédio da atual reitoria - localizado no número 109 da rua da Reitoria, distante pouco mais de 100 metros do antigo endereço - está ocupado por estudantes da universidade desde o dia 3 de maio.

A caminhada contra a ocupação foi a primeira realizada por alunos, professores e servidores da universidade contrários à ocupação do prédio. O ato foi coordenado por um grupo intitulado “Ação Independente de Professores da USP” e consistiu em uma passeata que saiu da frente do monumento ao arquiteto Ramos de Azevedo - próximo ao Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) - por volta das 10h de ontem, rumo a praça do Relógio, cerca de 1 quilômetro do local.

Farpas

Segundo Silvio Sawaya, diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP e um dos coordenadores do ato, cerca de 300 pessoas seguiram pela avenida Luciano Gualberto - uma das principais do câmpus - até chegar à praça do Relógio. No local, cantaram o Hino Nacional e fizeram um abraço simbólico no relógio.

Ao mesmo tempo, cerca de 1.000 pessoas favoráveis à ocupação - entre eles professores, servidores e alunos - ficaram do lado externo da reitoria ocupada. O grupo também abraçou o prédio em resposta ao ato do rival.

Ao final, alguns manifestantes favoráveis à ocupação foram até a praça do Relógio, onde se concentrava o grupo contrário. “Nós imaginávamos que iríamos encontrar um verdadeiro fenômeno da pororoca (grande onda de alguns metros de altura que ocorre, em certas épocas, em rios muito volumosos). Pelo que vimos, não passou de um veio de água de esgoto”, ridicularizou a diretora do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), Neli Wada. Ela afirmou ainda que o ato contrário à ocupação foi arquitetado por pessoas ligadas à reitora Suely Vilela e reuniu “meia dúzia de diretores próximos a reitora”.

Sawaya classificou as declarações de Neli como “apelativas”. Segundo ele, o ato nasceu de uma necessidade inicialmente detectada por professores de expressar sua posição contrária à ocupação. Para ele, a ocupação é que representa a minoria. “Se formos avaliar que somos em cerca de 100 mil (entre alunos, professores e servidores) e apenas cerca de 3 mil ocupam o prédio, chegaremos a conclusão de que isso que se apresenta é apenas o desejo de 3% do total”, afirmou.

Ele disse ainda que a idéia inicial do grupo era a de seguir em passeata até a frente do prédio da reitoria ocupada. No entanto, poderia dar margem a tumultos e chamaria a atenção da Polícia Militar. Sawaya afirmou ser contrário à presença da PM no câmpus e a retirada dos alunos pela tropa de choque.

Desde o dia 18 de maio, o Comando de Policiamento de Choque arquiteta uma ação para acompanhar a reintegração de posse no prédio, decidida pela Justiça no dia 16 de maio.

Ontem, professores, servidores e professores das três universidades públicas paulistas se reúnem na reitoria ocupada - além da USP, participam Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Universidade de Campinas (Unicamp). Na pauta estão as reivindicações conjuntas dos grupos e atividades culturais, segundo os organizadores.