08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Atitude sensata?


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Não pude deixar de plagiar o título de uma carta publicada nesta coluna no último domingo, 3/7, de autoria de um jovem estudante, que não conheço pessoalmente, exceto pelo sobrenome bastante respeitado em nossa cidade, sobre a quebra de patente dos medicamentos anti-aids.

Como trabalhador da indústria farmacêutica (não da Merck), mas de outra companhia de pesquisa, acho bastante leviana a opinião aqui descrita, bem como a atitude do governo. Inicialmente, acho importante destacar o primeiro crime do governo: a quebra de normas internacionais de boa prática comercial. Talvez muitos não saibam, mas a pesquisa destas novas drogas que vemos na TV ou nos jornais custam hoje individualmente em torno de 1 bilhão de dólares entre a descoberta e o lançamento, e de cada 50 moléculas descobertas, 1 chega ao mercado comprovadamente eficaz.

Não vamos ser demagogos de falar em economia, senão vejamos: o que são R$ 30 milhões por ano, perto de escândalos como o antigo mensalão, que afinal já deixamos passar, ou as últimas operações da Polícia Federal, como a “Operação navalha” , que em um ano somam mais de R$ 200 milhões de reais de falcatruas? Acredito no ímpeto estudantil de tentar fazer as coisas de maneira tempestuosa, mas após anos de experiência talvez o jovem aprenda que nem tudo é o que parece. É importante lembrar que os medicamentos que o governo pretende trazer podem não gozar de estudos que comprovem sua real eficácia, mesmo porque aquela região do planeta é a maior produtora pirata de drogas. Pergunto: por que o governo combate tanto a pirataria de CDs, cigarros, pneus, e ele mesmo promove a pirataria de drogas? Não seria porque estas drogas normalmente são isentas de impostos e não interessa ao governo protegê-las, já que não ganha nada com elas, mas tem uma enorme despesa?

É importante ressaltar que importar daquela região tecidos, camisas, cintos ou meias, que acredito que o jovem estudante deve saber bem como funciona, pois são extremamente baratos em virtude de mão-de-obra semi-escrava, não implicam em menos tempo de vida para ninguém. A compra de medicamentos que talvez não ofereçam comprovação de sua real eficácia pode estar encurtando a vida de muitas pessoas, talvez até de alguém ligado a alguém que nos lê.

Antonio C. Cerigatto