Jaú - Na microrregião de Jaú, onde produtores vêm apostando há um longo tempo na cultura da cana, cerca de 80% das terras cultivadas já são ocupadas pelas lavouras.
A informação é da Associação dos Plantadores de Cana da Região de Jaú (Associcana). Segundo Paulo Brandão, presidente da Associcana, a produção da cana continua se estendendo para outras áreas como na região de Bauru, por exemplo.
A promessa do governo brasileiro de que o álcool etanol trará dividendos econômicos para o Brasil - considerado o maior produtor do combustível alternativo – têm surtido efeito na região de Bauru. Novas áreas de plantios estão surgindo assim como as usinas de moagem.
Brandão lembra que neste ano o preço da tonelada do produto bruto tem variado entre R$ 38,00 a R$ 42,00. No ano passado, no entanto, a tonelada chegou a ser negociada a R$ 48,00. Apesar de os preços pagos atualmente pela tonelada da cana não serem os mais atraentes, ainda assim, segundo Brandão, os produtores apostam no álcool. Isso se deve ao fato de que esta cultura tem ganhado mais atenção do governo federal.
Na semana passada, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou previsão de recorde para a colheita nacional de cana-de-açúcar, estimada em 528 milhões de toneladas na safra 2007/08. O volume representa crescimento de 11,2% em relação à safra anterior, que foi de 474,8 milhões de toneladas.
A área ocupada com cana cresceu 7,4% neste ano em comparação com o ano anterior. A maior parte da produção, no entanto, está concentrada na região Centro-Sul, que, segundo previsões, deve colher 461,6 milhões de toneladas. Outras 6,3 milhões de toneladas são provenientes da região Norte-Nordeste.
Temos logística?
Uma das grandes preocupações de Brandão é com a infraestrutura para o transporte da cana. “É preciso que o produto chegue aos portos e aeroportos”, lembra o presidente da Associcana, apostando na exportação do produto. Apesar disso, Brandão salienta que o País ainda não possui álcool suficiente para exportar, daí a necessidade de expansão da lavoura de cana.
Volume recorde
Segundo a Conab, a produção de álcool nesta safra alcançará volume recorde de 20,01 bilhões de litros, representando crescimento de 14,54% na comparação com a safra anterior. Vale lembrar que desse total 10,6 bilhões de litros serão de álcool hidratado, 9,35 bilhões de litros serão de anidro e o restante será do tipo neutro.
O potencial de expansão da lavoura de cana e da produção de álcool pode ser notada na região com o surgimento de novos empreendimentos. Uma nova usina de moagem de cana, para produção de álcool, começou a funcionar em Iacanga nos últimos dias. Produtores de cidades vizinhas como Reginópolis e Ibitinga devem se beneficiar com o empreendimento fornecendo a matéria-prima para a usina que, segundo estimativas da gerência, deve moer cerca de 600 mil toneladas do produto até o final deste ano.