Resultado e conseqüência
Desde 1985 divulgo no meio empresarial a pratica da melhoria contínua, ferramenta da Qualidade Total que consiste em fazer pequenas melhorias de forma contínua, com pensar criativo e disciplina, sem risco, dentro de um intervalo de tempo estabelecido.
No início da década de 90, já como palestrante, comentava que a Toyota se tornaria a maior montadora de automóveis do mundo. O prognóstico foi correto, pois no primeiro trimestre deste ano, a Toyota produziu 2,35 milhões de veículos em todo o mundo - ante 2,26 milhões fabricados pela GM no mesmo período, assumindo a inédita liderança do mercado mundial de automóveis.
Foi fácil fazer e manter tal previsão, pois a Toyota com constância de propósito anualmente aumentava o número de melhorias realizadas por funcionários, enquanto as outras montadoras subestimavam essa pratica, por ser instrumento simples e infantil, e trazer resultados demorados.
Sem querer generalizar, gente graduada e orgulhosa tende a gostar de complexidade. E nós sabemos que a complexidade leva à decadência. O simples funciona. Hoje as montadoras americanas, atoladas em dívidas, tentam copiar o sistema da Toyota, mas não conseguem principalmente no tocante a paciência e atenção aos detalhes, imprescindíveis na prática da melhoria contínua. Querem resultado de imediato.
Nunca acreditei em sucesso rápido e fácil. Tudo que é fácil e rápido é inconsistente. Devido a esse sistema de gestão consistente, com praticamente o mesmo número de funcionários da GM, a Toyota ganha mais dinheiro e suas ações valem hoje US$ 219 bilhões em bolsa, valor 12 vezes superior à da grande montadora americana.
O mantra “qualidade, qualidade, qualidade” é repetido á exaustão por todos os funcionários da Toyota. Os seus mandamentos são qualidade, obsessão por corte de custos, investimento em treinamento, emprego vitalício, busca pela simplicidade, visão de longo prazo, decisão por consenso e proximidade com o consumidor.
Mas o que mais me chama a atenção é esse recorde, porém, não ser comemorado pelos executivos da Toyota. Ao contrário, tentaram a todo custo minimizar a realização. “Nossa maior luta é para ser a número 1 em termos de qualidade, não em quantidade”, afirmou à revista Exame, de 9 de maio de 2007, o presidente da empresa, Katsuaki Watanabe.
Fiel aos mandamentos, a Toyota fixa-se em melhorar continuamente. O crescimento vem como conseqüência. É uma pena que a maior parte das empresas brasileiras tardam a compreender isto.
Davison de Lucas, diretor da M.Davison & associados, consultor organizacional e palestrante, escreve neste espaço quinzenalmente.