10 de julho de 2026
Nacional

Cosméticos podem provocar sérias reações alérgicas

Por Paulo de Araujo | Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

A consolidação do Brasil como terceiro maior mercado de cosméticos do mundo – atrás dos EUA e do Japão - deve ser acompanhada de um alerta maior sobre possíveis reações adversas que decorrem do uso de maquiagens, cremes e afins. É o que apontam especialistas da área. Quem não se está habituado ao uso de cosméticos ou começou a apresentar sinais de alergia - coceira, vermelhidão ou inchaço - deve procurar um dermatologista para saber se tem alergia às substâncias presentes nos produtos.

A principal reação adversa ao uso de cosméticos é a dermatite de contato, uma inflamação da pele que pode provocar desde vermelhidão até dor e inchaço. “Alergia, você tem ou não tem. Os testes de contato são o jeito mais eficiente de descobrir’’, afirma o coordenador do núcleo de cosmiatria da Sociedade de Dermatologia do Rio de Janeiro (SBD-RJ), Marcelo Molinaro.

Esses testes consistem em aplicar no paciente uma pequena quantidade de substância química com potencial de causar reação alérgica. Se o local apresentar algum tipo de irritação, é possível detectar qual produto deve ser suspenso.

De acordo com Paula Dadalti, coordenadora do núcleo de alergia e imunologia da SBD-RJ, além dos produtos aplicados diretamente na pele, o esmalte usado nas unhas também é freqüente causador de alergia na face. Ao coçar o olho ou levar a mão à boca, o esmalte irrita os lábios e as pálpebras. “Nesse caso, é difícil fazer o diagnóstico porque a alergia não se manifesta no local da aplicação do produto’’, explica.

Ter sempre o cuidado de tirar a maquiagem antes de dormir, escolher cosméticos hipoalergênicos - com menor potencial alérgico, porém mais caros - e evitar se expor ao sol após a aplicação do produto são algumas orientações dos dermatologistas para evitar o aparecimento de reações adversas na pele. A luz solar pode alterar as propriedades químicas de alguns produtos, tornando-os tóxicos.

A supervisora de maquiagem da Globo, Lindalva Veronez, diz que é preciso tomar cuidados tanto na aplicação quanto na limpeza da pele após o uso. “Não adianta comprar um produto bom e não ter cuidado com a limpeza, tonificação e hidratação’’, afirma. E, no caso de qualquer sinal de alergia - coceira, vermelhidão ou inchaço - o melhor a fazer é “retirar todos os produtos, lavar o rosto com sabão neutro e deixar a pele limpa’’.

Levantamento feito no ano passado pela Sociedade Brasileira de Dermatologia concluiu que a dermatite de contato está entre as cinco principais doenças de pele no Brasil. A pesquisa foi feita com base em 54.509 pacientes em consultórios de dermatologia e na rede pública.

Com 3,9% de incidência, a dermatite de contato ocupa a quinta posição no ranking. Não é possível discriminar as causas da dermatite, já que essa irritação pode advir do uso de xampus, detergente sabão, bijuterias ou qualquer produto de beleza. “De qualquer forma, é possível dizer que os cosméticos são uma causa importante da dermatite de contato’’, afirma Paula Dadalti.

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Produtos conhecidos

A dermatite de contato pode ser desencadeada de uma hora para outra mesmo por produtos usados de longa data. “Às vezes, temos uma reação alérgica por algo que nunca tivemos antes’’, diz Paula Dadalti, coordenadora do núcleo de alergia e imunologia da Sociedade de Dermatologia do Rio de Janeiro (SBD-RJ).

É como se uma substância fosse pouco a pouco reconhecida pelo organismo e, em determinado momento, fizesse despertar uma reação de defesa do sistema imunológico. Por isso, um dos mitos que precisam ser desfeitos, afirma Dadalti, é justamente o que diz que a alergia só começa nos primeiros anos de vida. “As pessoas têm esse dogma: pensam que, se nunca apresentaram uma reação alérgica, não será agora que terão de enfrentá-la.’’

Quando uma alergia se manifesta, raramente é superada. Há ainda a “tolerância’’, em que a reação alérgica aparece e desaparece, mas a chance de isso acontecer é pequena, segundo a coordenadora da SBD-RJ.

O que freqüentemente acontece é a dificuldade de as pessoas se conformarem com sua alergia. Como a primeira providência é suspender o uso de um produto, existe uma certa relutância. “Aí, a situação fica mais grave. A tendência é a lesão piorar se a pessoa persistir no uso do produto’’, afirma Dadalti.