07 de julho de 2026
Entrelinhas

Entrelinha

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

• Via Crucis de Tuga

A semana política começará amanhã com o prefeito Tuga Angerami voltando à sua já conhecida e rotineira romaria à Câmara Municipal. Ele tentará convencer os vereadores a aprovar a negociação feita com a CPFL para quitação de uma dívida agora fechada na base de R$ 11,5 milhões, para ser paga em nove anos.

• Anos de negociações

Às 10h30 o prefeito se reunirá com vereadores para explicar a negociação, fechada com a CPFL na semana passada, após a empresa de distribuição de energia ter aceito reduzir o valor que estava cobrando há anos e que quase foi pago pelo então secretário de Finanças Raul Gomes Duarte Neto, no governo de Nilson Costa, o que teria acarretado sério prejuízo aos cofres públicos.

• Governança atrelada

Como resolveu contrariar a lógica política e se recusou a formar uma bancada representativa no Poder Legislativo, Tuga está tendo de descer a Azarias Leite de 15 em 15 dias para conversar com os parlamentares. E haja saliva e lábios de mel, como diz a oposição, para convencer os vereadores. Enfim, trata-se de um governo que tem de prestar contas o tempo todo ao Legislativo.

• ‘Não fomos avisados!’

Aliás, vários vereadores, mal-acostumados com os seguidos pedidos de bênçãos, torceram o nariz por saberem do acerto com a CPFL através do jornal. Entre eles está o barbudo Toninho Garmes, que afirmou ontem querer “boas explicações” sobre o acerto de contas entre o governo e a CPFL. Portanto, a essa altura, a política executiva e legislativa de Bauru vive essa particularidade. Se vai ser bom ou ruim para a cidade, ainda não ficou totalmente claro.

• Baixo calão punido

O Conselho de Ética da OAB-Bauru agiu rápido e já julgou o caso do advogado Manoel da Silveira, 78 anos, que há dois meses agrediu verbalmente com palavras de baixo calão juízes de Marília, em uma petição. O presidente do Conselho, Henrique Crivelli Alvarez, baixou suspensão provisória de 90 dias, que poderá chegar a 12 meses e até mesmo à sua exclusão da carreira jurídica. Para quem não leu, está na página 22 da edição de quinta-feira passada.

• Movimento estudantil

A greve dos estudantes e professores da Unesp e USP acirrou-se de tal forma que lembra, em alguns ângulos, os momentos mais marcantes do movimento estudantil de 20 a 30 anos atrás. A mobilização é intensa, com ocupações, palavras de ordem contra intervenção, críticas ferozes aos fura-greve, um governo para ser contra etc. Quem quiser sentir o clima fervendo, como há muito não se via, basta acessar os blogs http://ocupacaousp.noblogs.org/ (da USP) e http://grevenaoeferias.blogspot.com/ (Unesp-Bauru).

• Tempo instável em SP

O governo José Serra depara-se com um grande “abacaxi” para descascar logo de cara. Terá de ter muita capacidade de negociação porque movimentos sociais quando eclodem não podem ser tratados apenas com a frieza das leis. É visível e até certo ponto elogiável a disposição do governador de atacar questões delicadas, sempre omitidas por governos, mas é preciso muita atenção e capacidade de realizar para não sofrer prejuízo político.