07 de julho de 2026
Geral

Demanda é antiga

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

A construção da moradia estudantil é uma demanda antiga na Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru. Ela data da época da inauguração do câmpus, ocorrida no final da década de 1980. Desde então, praticamente todos os movimentos de greve surgidos na instituição incorporaram a questão da moradia em suas pautas de reivindicações.

Em 2003, os manifestantes chegaram a assumir uma postura drástica: cerca de 20 estudantes permaneceram durante vários dias acampados no interior do câmpus para exigir que a universidade construísse as tão esperadas moradias.

O ato deu resultado e, naquele mesmo ano, a reitoria se comprometeu a criar as estruturas. Só que, até agora, o projeto não saiu do papel. O professor de engenharia mecânica Paulo Cezar Razuk ocupava o cargo de vice-reitor na época em que os protestos foram realizados.

Ele revela que a questão chegou a tramitar nas discussões do Conselho Universitário. “Eles acabaram dando parecer favorável à construção das moradias. A coisa só não seguiu adiante devido a limitações orçamentárias”, afirma.

Este ano, com greve dos professores, funcionários e estudantes, a questão da assistência estudantil voltou a ocupar o centro das discussões. A Reitoria da Unesp, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que pretende dar prioridade à construção das moradias no câmpus de Bauru.

A instituição ressalta, porém, que o projeto, já em sua fase orçamentária, depende da aprovação do Conselho Universitário para ser implementado. Enquanto aguardam uma solução definitiva para o problema, alunos de baixa renda são obrigados a conter despesas para se manter nos estudos.

Priscila Colavite, 21 anos, está no 3.º ano do curso de ciências biológicas da Unesp. No final do ano passado, ela resolveu deixar sua casa, em Barra Bonita (68 quilômetros de Bauru), para poder se dedicar mais aos estudos. “Minha intenção, na época, era fazer estágio para poder colocar em prática aquilo que estou aprendendo na faculdade”, diz.

Como o câmpus não oferece moradia gratuita aos estudantes, ela precisou arrumar emprestado para poder se manter. “Tive de abrir mão do estágio”, diz Priscila, que gasta R$ 200,00 ao mês com aluguel. Ela trabalha como monitora numa escola particular e recebe R$ 300,00. Sua mãe é viúva e não tem condições de auxiliá-la nas despesas. No começo do ano, teve de gastar R$ 120,00 para fotocopiar dois livros. Numa loja, custariam R$ 200,00, cada.