08 de julho de 2026
Geral

Sobram vagas no residencial da USP

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

Sobram vagas no Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo (Crusp) de Bauru. O local, situado no interior do câmpus (na Vila Universitária), tem capacidade para abrigar 72 estudantes - 36 de cada sexo. Hoje, porém, apenas 60 vagas se encontram oficialmente ocupadas. Os dois apartamentos destinados a mulheres estão lotados; já os reservados aos homens contam com apenas 24 ocupantes.

“A maioria de nossos 360 alunos são do sexo feminino. Algumas classes do curso de fonoaudiologia (um dos dois cursos oferecidos pela USP na cidade; o outro é odontologia) não têm um rapaz sequer”, afirma Christine Habib, assistente social da Prefeitura do Câmpus de Bauru.

Diferentemente do que costuma ocorrer em outros lugares onde a USP mantém conjuntos residenciais, os processos seletivos para ingresso no Crusp de Bauru costumam ser marcados pela tranqüilidade. Filas de espera são difíceis de ocorrer. “De 1988 (ano em que as moradias foram inauguradas) para cá, as ‘sobras’ não chegaram a cinco alunos. Ainda assim, conseguimos remanejá-los para outros locais por meio de auxílios para o pagamento de aluguel. Ninguém ficou desamparado”, garante.

O tamanho reduzido do câmpus favorece o trabalho da assistente social. “Como o número de alunos é pequeno, posso acompanhar de perto a realidade de cada um deles”, afirma. Ela calcula que metade dos estudantes da faculdade contem com algum tipo de bolsa.

A exemplo do que ocorre em outros locais do Estado onde a USP mantém seus câmpus, Bauru conta com um restaurante subsidiado onde estudantes podem fazer suas refeições (almoço e jantar) pagando apenas R$ 1,90. Vários alunos têm bolsa-alimentação e não precisam pagar para comer no local.

A estrutura oferecida aos estudantes nas moradias também não deixa nada a desejar. Todos os apartamentos contam com mobiliário básico, ou seja, cama, armários e escrivaninhas. As cozinhas possuem geladeira, fogão e até freezer.

Os banheiros coletivos têm quatro chuveiros, cada, e as lavanderias contam até com máquina de lavar. Natural de Jaú (47 quilômetros de Bauru), Paulo Zupelari Gonçalves, 21 anos, sabe que dificilmente teria condições de pagar para ter acesso a semelhante estrutura. “É preciso considerar que estamos numa área nobre da cidade”, lembra ele, que cursa o 2.º ano de odontologia.

César Augusto Nicodemo, 21anos, também é de Jaú. Apesar de sua família morar relativamente perto de Bauru, ele também teve de recorrer ao Crusp para poder estudar. “Meu curso (de odontologia) é integral e, por essa razão, eu não conseguiria chegar aqui a tempo de assistir todas as aulas. Sem contar que eu teria de gastar muito com o transporte”, calcula.

Todos os moradores precisaram passar por um processo de avaliação socioeconômica antes de ingressar no Crusp. O local é destinado apenas a alunos de graduação. Os contemplados com a bolsa-moradia podem permanecer na vaga apenas até se formarem.

Para manter o benefício, os moradores do residencial precisam passar por reavaliações anuais que levam em conta o desempenho acadêmico de cada um. “Caso seja reprovado em alguma disciplina, o estudante corre o risco de perder a vaga na moradia”, alerta Habib. Até o presente momento, porém, não há registros de que moradores do Crusp de Bauru tenham se saído mal nos estudos.