08 de julho de 2026
Geral

Aumentam as tentativas de suicídio

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Tristeza, angústia, depressão. A sensação de que viver não vale mais a pena está atormentando muitos bauruenses. De acordo com dados da Polícia Militar (PM), em 2006 os policiais atenderam 24 tentativas e registraram 17 suicídios. Somente nos primeiros cinco meses de 2007, a PM registrou 24 tentativas e cinco suicídios. Mas as vítimas podem ser mais numerosas. Nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) da prefeitura, o número de atendimentos de pessoas que já tentaram o suicídio é grande. No Caps1, em 2006 foram atendidos 31 casos. No Caps Infantil, de janeiro de 2006 a maio deste ano foram 38 adolescentes atendidos, e no Ambulatório Municipal de Saúde Mental, 31 pessoas que tentaram suicídio foram atendidas em 2006 e outras cinco neste ano.

Para Vera Lúcia de Paula Rodrigues, psicóloga clínica, psicodramatista e terapeuta de casais e família, o ritmo de vida estressante e a falta de perspectivas da qual muitas pessoas sofrem, indicam que a depressão é um mal coletivo. “A sociedade está doente e nós sofremos por conta disso”, aponta Rodrigues, que também é diretora da Divisão de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde. Atualmente, as pessoas enfrentam dificuldades de receber e dar afeto, carinho. “Você perde esses parâmetros, não vê perspectivas e pensa em romper com a vida”, observa a psicóloga.

Essa depressão que é característica do mundo moderno encontra entre os adolescentes vítimas vulneráveis. “O que tem chamado a atenção é o aumento de tentativas de suicídio entre os jovens. Na adolescência, os problemas são questões de não conseguir lidar com frustrações. Os jovens não conseguem lidar com perdas e lutos. Eles não conseguem esperar”, avalia Rodrigues.

Para a especialista, as pessoas precisam ter tempo para vivenciar o luto pela perda. “Hoje, não se tem permissão para lidar com a dor. E o luto é necessário para a elaboração dessa perda”, explica.

Mas o maior público atendido pelo Caps na questão de suicídio é o feminino. As mulheres correspondem a quase 75% dos casos de tentativa de suicídio que são acompanhados pelos centros. “As mulheres se emanciparam, mas continuam com suas responsabilidades de mãe, de cuidar da casa. Elas estão sobrecarregadas”, observa Rodrigues.

A depressão, que leva à solidão, isolamento no trabalho e na família, é uma questão de saúde pública em muitas cidades. “Na Capital, existem ambulatórios só para tratar questões de suicídio”, aponta a psicóloga.

Ela explica que essa tentativa de pôr fim à vida surge em diferentes situações. “Ela existe num surto psicótico, numa tentativa de chamar atenção para algum problema e quando a pessoa quer de fato terminar com a vida. E todas essas situações devem ser cuidadosamente acompanhadas”, afirma.

O acompanhamento é necessário também pela questão de reincidência, que acontece em grande parte dos casos e, geralmente, é pior que a primeira tentativa. “Por isso não se pode ignorar nenhuma tentativa de suicídio”, observa Rodrigues.

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Sinais

Família e amigos devem sempre estar atentos à pessoa que constantemente busca se isolar, tanto na escola quanto na família e no trabalho. Outro sinal é o abandono com o cuidado pessoal. De acordo com a psicóloga Vera Lúcia de Paula Rodrigues, o suicídio é uma ação, e diagnosticar o que motivou esse ato é o desafio para o tratamento. “Quando alguém manifesta a vontade de deixar de viver, pessoas que convivem com ela não devem desprezar esse sentimento”, aconselha.

Quando uma pessoa tenta o suicídio, é socorrida no Pronto-Socorro Central. Depois do atendimento, ela é encaminhada ao Caps. A família também recebe orientação. Dependendo da gravidade da tentativa, é até aconselhada a deixar facas e lâminas fora de acesso. Nos centros de atendimento, as pessoas recebem orientações em grupos de até 20 participantes. Muitos procuram ajuda por conta própria, outros são incentivados pela família.

Nesse grupos, que são compostos por pessoas com depressão, por vítimas de estresse pós-traumático, entre outras, os usuários passam por profissionais que os ajudam a lidar com o sofrimento. São psicólogos, enfermeiros, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, fonoaudiólogos e técnicos da área da saúde. Os grupos são para tratamento intensivo, semi-intensivo e não intensivo.