10 de julho de 2026
Nacional

Parada Gay pede fim da homofobia

Por Daniel Bergamasco e Daniela Tófoli | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - Em luta “contra o racismo, o machismo e a homofobia”, segundo o slogan impresso em sua bandeira colorida, a 11.ª edição da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo reuniu 3,5 milhões de pessoas neste ano, contra 3 milhões de 2006, dizem os organizadores. A Polícia Militar, que falava em 2 milhões em 2006, decidiu não divulgar estimativa neste ano - avaliou não ter como fazer uma contabilidade precisa, já que o público é flutuante (também era no ano passado).

Com beijo na boca liberado, muitos descamisados e outros tantos fantasiados (Batman, diabinha, além de muitas asinhas de borboleta), o aumento de público era perceptível pela sensação maior de aperto e pela visão aérea da avenida Paulista.

De cima dos trios, ao som de música eletrônica e até músicas da Xuxa, Go Go Boys levantavam aplausos (um deles chegou a ficar quase nu, abaixando toda a sunga na parte de trás e parcialmente na frente). O apresentador Leão Lobo exagerava: “Somos 4 milhões!”

Lá embaixo, a multidão causava empurra-empurra. Em posto médico em frente ao Masp (eram 14 no total), contabilizava-se, no início da noite, mais de 50 atendimentos, cerca de 15 de vítimas de agressões como socos e garrafadas. Quatro pessoas foram presas em flagrante por furtos e roubos. Entre elas, uma jovem que fez um “arrastão” particular na multidão: carregava 12 celulares e 3 máquinas fotográficas. Cenas comuns: nádegas de fora, baseados e até participantes que abriam a braguilha para mostras as partes íntimas.

Três dos 23 trios previstos para desfilar na parada -que seguiu da Paulista pela rua da Consolação até a praça Roosevelt - tiveram problemas. Um deles, o carro abre-alas, ficou enroscado num viaduto. Outros dois trios, entre os quais o que levava a dupla de DJs Fischerspooner, de Nova York, tiveram problemas no percurso e só entraram no meio da festa.

Na multidão, havia pais com crianças de colo. “Ela tem dois meses. Não tenho medo, a parada é de paz”, dizia Luciana Soares, amamentando a filha.

O grande público, porém, afastou alguns. Amanda Salles, 28 anos, veio de Sorocaba (100 quilômetros a oeste de SP), mas já ia embora às 14h45. “Pela TV a festa parece ser bonita, mas ao vivo não dá para aproveitar.”

Nas ruas paralelas, as filas de táxi com “foragidos” eram grandes. Amanda Cintra, 19 anos, saiu às 15h10. “Já tem gente bêbada demais. Todo mundo passa a mão e agarra. Não curti nada.”

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Apoio a projeto

São Paulo - A cerimônia oficial de abertura da Parada Gay foi marcada ontem por críticas à falta de uma legislação que iniba a violência contra os homossexuais. “Mais uma vez a gente vai fazer um grande evento. Infelizmente, a nossa visibilidade ainda não foi suficiente para reverberar em ações de políticas públicas. Ainda somos tratados como cidadãos de segunda”, disse Nelson Matias Pereira, presidente da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo. “Estamos aqui para pedir apoio à lei importante que criminaliza a questão da homofobia”, completou, dirigindo-se ao prefeito Gilberto Kassab (DEM-SP) e ao ministro dos Esportes, Orlando Silva.

O projeto é o 122/2003, que tramita no Congresso e torna crime, nos moldes do racismo, a homofobia. “Prefeito Kassab, nosso companheiro, queremos que o senhor peça aos senadores que votem favorável”, reforçou Toni Reis, do grupo gay de Curitiba.

O prefeito, que vetou o projeto de lei 440/01 que criminaliza práticas homofóbicas no comércio por acreditar existir problemas na redação do texto, afirmou aos jornalistas que a maior prova do apoio do município à causa é o investimento de R$ 450 mil. “A parada merece”, disse ele, que enviou à Câmara Municipal um projeto aperfeiçoado sobre o tema.

A ministra do Turismo, Marta Suplicy, que chegou logo após a abertura oficial, disse que falta “vontade política” dos parlamentares para aprovar leis que melhorem as condições dos gays. O chefe de gabinete da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Vinicius de Carvalho, disse que a União planeja organizar uma conferência de políticas públicas para GLTB.