09 de julho de 2026
Nacional

Morre empresário acusado de participar dos sanguessugas

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - Morreu no sábado o empresário Abel Pereira, 51 anos, acusado de envolvimento com a máfia dos sanguessugas. Pereira sofreu um infarto durante um jogo de futebol com amigos em Piracicaba (162 quilômetros a noroeste de São Paulo), foi socorrido, mas não resistiu, segundo um dos advogados dele, Eduardo Silveira. O corpo do empresário foi velado ontem em Piracicaba e transportado para São Paulo, onde seria cremado.

O empresário era suspeito de receber propina para facilitar a liberação de verbas do Ministério da Saúde para a compra de ambulâncias superfaturadas. O acusado de chefiar a máfia das sanguessugas, Luiz Antonio Vedoin, disse à Polícia Federal que pagava a Pereira em 2002, na gestão do tucano Barjas Negri na Saúde, o equivalente a 6,5% das verbas liberadas pelo ministério que iam para o esquema. O empresário era ligado a Negri, que hoje é prefeito de Piracicaba. Abel Pereira negava a acusação.

Em setembro de 2006, Vedoin levou à Justiça Federal comprovantes de depósitos e de cheques que, segundo ele, comprovavam o pagamento da propina. O acusado de liderar a máfia das ambulâncias disse que, através de Pereira, conseguiu a liberação de R$ 3 milhões do Ministério da Saúde.

Em depoimento à PF, Vedoin falou que a entrega dos documentos à Justiça fazia parte da tentativa de venda de um dossiê contra políticos do PSDB a integrantes do PT. Em 15 de setembro de 2006, a Polícia Federal prendeu em São Paulo dois supostos emissários do PT com R$ 1,7 milhão, que seria destinado à família Vedoin em troca de denúncias. À PF, em outubro do ano passado, Pereira acusou Vedoin de oferecer a ele um outro dossiê - com denúncias contra o senador Aloizio Mercadante (PT), que foi candidato a governador de São Paulo.

O empresário de Piracicaba era casado e tinha três filhos, todos do primeiro dos dois casamentos que teve.