A falta de atendimento durante cerca de uma hora e meia no início da noite de ontem tumultuou o Pronto-Atendimento Infantil (PAI), no centro da cidade. A Polícia Militar (PM) foi chamada para evitar que a situação saísse do controle.
A precariedade do atendimento nas unidades de saúde e nos hospitais públicos do País não é uma novidade. Mas quando as vítimas do descaso no atendimento são crianças, a gravidade da situação se torna explícita e mais triste.
Ontem, apertados na sala de espera do PAI e em suas imediações, mais de 60 pessoas com seus filhos aguardavam para serem atendidos pelos pediatras. Muitos deles haviam chegado à tarde e só passado por uma pré-consulta com as crianças. Estavam sem comer e, pior, sem explicações sobre a demora. Havia muitas crianças com tosse, muito choro e desconforto.
Após a troca de turnos, às 18h, o primeiro médico a aparecer no local, segundo pais que estavam esperando, chegou às 19h30. Nessa hora, já nervosas pela demora, algumas pessoas teriam agredido verbalmente o pediatra e os funcionários do PAI, que chamaram a PM temendo um problema mais grave.
Segundo o sargento Roberto Gonçalves, a presença da polícia serviu para acalmar tanto os profissionais quanto as pessoas que aguardavam o atendimento. “Orientamos as pessoas a não fazerem tumultos, evitar atos de vandalismo e ter paciência”, disse. Por volta das 20h30, três pediatras faziam o atendimento das crianças e a polícia ainda permanecia nas proximidades do PAI, observando.
Indignação
A revolta era explícita no rosto de quase todos os presentes. “Tivemos que fazer um escândalo para sermos atendidos. É revoltante, nós pagamos nossos impostos”, reclamou a auxiliar de cozinha Carla Macário da Silva, que havia chegado às 17h ao PAI. Seu filho de apenas 11 meses tinha febre, tossia e havia vomitado.
Os sintomas do menino eram quase os mesmos do filho de um ano e três meses da balconista Tânia Rodrigues e do auxiliar de produção José Carlos Rodrigues. A família chegou às 17h30 no PAI e, três horas depois, não havia sido atendida. “Ficaram uma hora e meia sem médico. É um descaso. O que nós queremos é um direito nosso”, disse o pai da criança
Para o pintor Davison Mengali, que com sua esposa, Marissand, estava no PAI desde às 16h à espera do atendimento para a filha de 5 anos, a demora já é uma constante. “Outro dia cheguei às 14h e sai às 22h”, contou. “A gente mora do lado do Pronto-Socorro e não adianta nada porque não funciona”, completou Marissand.
Talvez existam muitos culpados e muitas vítimas dos dois lados. O que incomoda é a falta de solução para um problema que é recorrente e que, provavelmente, hoje à noite, voltará a se repetir.