Meses depois de renegar sua arte e classificar o que vinha fazendo nos últimos anos de “medíocre”, o artista plástico Percÿ Coppieters reinventou-se. Buscou no minimalismo, na arquitetura e nas formas geométricas o que necessitava para reacender sua paixão pelo desenho e novamente criar com prazer. Mais de dois anos após sua última exposição, ele apresenta hoje a mostra “... Entre Outros, Colagens e Telas”, que tem visitação aberta no Templo Bar até 26 de junho.
Atualmente, Percÿ vem dividindo seu tempo entre as obras e uma franquia de molduraria, que abriu na avenida Duque de Caxias. As obras da exposição, todas nascidas nos últimos meses, são unicamente de colagens de formas geométricas – criadas com folhas importadas de foam board e passe-partout – sobre tela, mesclando também papéis e tinta óleo. Além dos familiares pincéis, o autor vem usando estiletes, giletes, pregos, martelo e cola.
A busca, segundo o próprio artista, é pela tridimensionalidade, o volume e o equilíbrio das formas e, mais recentemente, das tintas. “Tem grande influência do minimalismo e da arte japonesa, de artistas como Tomie Otake, Manabu Mabe, Wakabayashi e Fukuda, entre outros. Pego essa produção e, a partir desses artistas, faço uma releitura geral do meu trabalho”, afirma o artista, já premiado em diversas mostras e salões de arte.
Para Percÿ, a mudança da monotipia e das gravuras para as colagens não se caracteriza como uma ruptura, mas uma conseqüência e continuação de sua obra artística. “Sempre julguei o desenho como mais importante. Uma grande inspiração são as formas de Oscar Niemeyer e também os desenhos de Ianelli, Scliar, Da Costa e Klimt”, cita.
Formas e cores
As obras com colagens e formas geométricas surgiram em quadros pequenos, mas vêm crescendo com o aperfeiçoamento da técnica. “Elas têm tomado um volume de construção maior, de até 80 por 80 centímetros, 1 metro quadrado. Assim, elas começaram a adquirir outras formas também, mais longitudinais, com elementos maiores e também mais peças. O trabalho começa a demandar um espaço maior e vejo que pode até culminar em escultura. Mais para frente, penso nesse salto para a escultura, o próprio trabalho vem pedindo”, comenta Percÿ.
Segundo o artista plástico, as tintas surgiram nas obras naturalmente, após uma produção unicamente com colagens dos elementos geométricos. “Vi que cabia alguma coisa (da tinta óleo), e de um pequeno detalhe, passei para outro trabalho com mais óleo. Da forma como estou tratando a colagem, as formas fazem os traços de desenho”, exemplifica.
A escolha das cores também é simbólica na proposta contemporânea da produção. Além do branco, do preto, do vermelho e do azul, o autor cita o uso do dourado como mais representativo. “Usei folha de ouro sobre o negro em três ou quatro obras, o que é bem contemporâneo. O ouro tem um simbolismo, significa não só o resgate da arte, mas da minha relação com a pintura”, explica.
Por ser sua primeira exposição em mais de dois anos e a primeira com sua arte recente, Percÿ buscou patrocínio para a produção. “Quis fazer o catálogo com bastante esmero, pois vejo como necessária a apresentação da obra e do artista. Nutro uma expectativa maior por essa exposição por ser um trabalho totalmente diferenciado, que foge dos padrões”, diz, sem falsa modéstia.
A exposição “... Entre Outros, Colagens e Telas” tem patrocínio do grupo Moldurarte, Travelnet, Santiago Seguros, Revista Recriarte, Z3 Comunicação e Design, Júlio Furtado, Telas Vincent e Arte Express Molduras.
• Serviço
Exposição “... Entre Outros, Colagens e Telas”, de Percÿ Coppieters tem abertura hoje, às 20h, no Templo Bar. Visitação aberta até 26 de junho. O Templo Bar fica na rua Benjamin Constant, 1-34. Mais informações: (14) 3223-3493.