08 de julho de 2026
Regional

Pacote dá sobrevida a calçadistas

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 3 min

Jaú - A linha de crédito recém-anunciada pelo governo para ajudar os setores que estão sendo prejudicados pela queda do dólar foi bem-recebida pelo Sindicato das Indústrias de Calçados (Sindicalçados) de Jaú (47 quilômetros de Bauru). Apesar disso, o sindicato avalia que as medidas apenas evitarão que o setor “afunde”.

O presidente do Sindicalçados, Caetano Bianco Neto, considerou boas as medidas anunciadas anteontem pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, para estimular os setores que estão sendo prejudicados pela valorização do real frente ao dólar. No entanto, ele faz ressalvas. “São boas, mas, na minha opinião, o governo ainda deixa a desejar. Ele deveria ter acenado com coisas que seriam melhores para nós. Uma das grandes reivindicações nossas hoje é a desoneração da folha de pagamento”, aponta.

“O empresariado, de modo geral, também está reclamando disso. Parece que o Ministério da Fazenda achou que não deveria fazer (a desoneração da folha) porque impactaria muito em termos fiscal. Mas vamos continuar a bater nesta tecla porque é muito importante para nós”, completa Bianco Neto.

As medidas anunciadas nesta semana pelo governo não devem mudar muito a atual situação do setor calçadista da microrregião de Jaú. A previsão é do presidente do Sindicalçados, que acredita que os “incentivos” devem apenas garantir os empregos. “A grande preocupação (dos empresários) é garantir o emprego. A ampliação da produção não está ocorrendo neste momento. Esta ajuda é para ajudar o setor não afundar mais do que já tem afundado”, afirma.

Segundo Bianco Neto, que também é empresário, além das linhas de créditos anunciadas nesta semana existem outras e, de acordo com ele, uma das mais utilizadas pelos 250 associados da entidade é o cartão de crédito do BNDES. “Além dessas linhas (de crédito) que foram anunciadas ontem (terça-feira), existem outras. O que o pessoal de Jaú mais tem usado é uma que tem um cartão de crédito que o BNDES concede. Antigamente, o cartão só permitia comprar máquinas, agora também pode-se comprar insumos”, explica.

No entanto, os juros anuais cobrados por este tipo de financiamento é maior do que os anunciados nesta semana no novo pacote de ajuda aos setores calçadista, têxteis, moveleiro e eletroeletrônico. De acordo com o Sindicalçados, os juros são de 1,03% ao mês na modalidade cartão.

Juros

As soluções encontradas pelo governo para não prejudicar ainda mais estes setores da economia prometem linhas de créditos para empréstimos às empresas com faturamento anual de até R$ 300 milhões. Os juros anuais para o financiamento de capital de giro é de 8,5% e para investimentos e exportação 7%. O prazo para quitar o empréstimo é até 36 meses para o capital de giro e exportação e até 96 meses para investimentos.

“As taxas de juros são atraentes em comparação com as taxas oferecidas pelos bancos privados. Para se fazer alguma coisa em banco privado, hoje, dificilmente se consegue algum empréstimo por menos de 15%, 16% de juros ao ano”, explica Bianco Neto.

O empresário acredita que essas novas linhas de crédito devem agradar os empreendedores do setor calçadista da microrregião de Jaú. “Eu acredito que isso realmente vai pegar, é uma proposta interessante.”

Visita

O Sindicalçados convidou, através da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), supervisores do BNDES do Rio de Janeiro para virem a Jaú. Na semana passada, eles divulgaram as linhas de créditos disponibilizadas pelo órgão. “O BNDES não chegava nas micro e pequenas empresas, agora está chegando”, afirma Bianco Neto, lembrando que existem outros financiamentos que as empresas têm utilizado originados no Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).