09 de julho de 2026
Nacional

PIB cresce 4,3% puxado pelo consumo

Por Pedro Soares e Fernando Canzian | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Rio - Puxado por duas forças antagônicas - para cima pela demanda interna e para baixo pelo real valorizado -, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 4,3% no primeiro trimestre de 2007 na comparação com igual período de 2006. Já a variação entre janeiro e março sobre o último trimestre de 2006 foi de 0,8%.

Em preços de mercado, o PIB nacional alcançou R$ 596,2 bilhões nos primeiros três meses do ano. Nos últimos 12 meses, o crescimento acumulado é de 3,8%. Em 2006, o PIB cresceu 3,7%. O grande destaque positivo no PIB do trimestre foi o consumo das famílias, que avançou 6% em relação ao primeiro trimestre de 2006 apoiado em mais renda, emprego e crédito.

Foi o 14.º aumento consecutivo e o maior percentual para o período desde o primeiro trimestre de 2000 (10,3%). Esse resultado, principalmente, já levou algumas consultorias a revisar para cima suas expectativas de crescimento da economia neste ano - de 4% a 4,5%. Na contramão, o setor externo pesou negativamente na contabilidade do PIB. Houve um salto de 19,9% nas importações no trimestre, enquanto as exportações subiram 5,9%. A contribuição do setor externo foi negativa pelo quinto trimestre consecutivo.

Segundo cálculos da consultoria LCA, a economia poderia ter crescido 5,7% no primeiro trimestre sem essa influência, com a ressalva de que as importações trazem também benefícios para o crescimento econômico. Roberto Luís Olinto, coordenador de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ressalta que as importações estão garantido que a oferta de bens e produtos no País atenda à maior procura sem pressionar os preços e proporcionando um considerável aumento nos investimentos (outro destaque positivo do PIB), via compras no Exterior de máquinas e equipamentos. “O aumento das importações tem um componente negativo no cálculo final do PIB, mas tem vários aspectos positivos. São prós e contras”, disse.

Olinto frisou que o mesmo comportamento de consumo maior das famílias e de aumento das importações vem se repetindo há vários trimestres. “Não devemos ter grandes oscilações. A tendência é de um crescimento ao redor de 1% de um trimestre para o outro.”

Além do consumo das famílias, outro destaque positivo no PIB do primeiro trimestre ficou por conta do setor de serviços (alta de 4,6% e melhor resultado desde o final de 2004). Este foi o primeiro PIB calculado após mudanças de metodologia do IBGE, que apuram melhor o setor de serviços.

Dentro dos serviços, a intermediação financeira (puxada por mais operações de crédito) aumentou 9,2%. Serviços de informação (com a telefonia celular à frente) subiram 7,3%, e o comércio atacadista e varejista evoluiu 6% - taxa idêntica à apurada no consumo. A indústria teve desempenho mais tímido no período, principalmente a de transformação.

No geral, houve evolução de 3% na indústria, mas no setor de transformação foi de 2,8%. “É o efeito do câmbio e das importações sobre a indústria”, disse Edgard Pereira, economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). Já o setor agropecuário apresentou um crescimento de 2,1% na comparação com o primeiro trimestre de 2006, com destaque para a produção de algodão, milho e soja.