08 de julho de 2026
Cultura

Bom baiano

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 2 min

Recém-chegado à casa dos 60, o músico Moraes Moreira volta a Bauru nesta quarta-feira, dia 1 de agosto, cheio de idéias. A maior delas - ele conta sem muitos detalhes e alardes - é o livro-show “A História dos Novos Baianos e Outros Versos”. As memórias do grupo que revolucionou a música brasileira na década de 70 devem sair logo em setembro pela editora Língua Geral. Já o DVD com o livro musicado é um projeto para, no mínimo, dois anos.

Com seu violão, “o companheiro inseparável, o parceiro de sempre”, o músico é a atração principal das comemorações dos 111 anos de Bauru e dos 40 anos do Jornal da Cidades comemorados nesta quarta-feira. O show gratuito, programado para às 20h30, no Vitória Régia, é uma iniciativa do JC em parceria com a Rede Confiança de Supermercados. Ambos também patrocinam a Festa do Sanduíche Bauru nos dias 31 de julho e 1 de agosto.

De Bauru, também estão confirmadas as bandas A Ligha, Manos Country e Monte de Bossa.

De Ituaçu, onde nasceu na Bahia, Moraes Moreira foi para Salvador onde deveria prestar vestibular para medicina. Mas lá topou com um tal de Tom Zé, que ensinava violão no Seminário de Música da Universidade Federal da Bahia.

De lá pra cá, ele foi hippie-tropicalista que integrou a comunidade-banda com os outros novos baianos Paulinho Boca-de-Cantor, Pepeu Gomes, Dadi, Galvão, Jorginho, Baixinho, Bolacha e Baby. Conheceu sua principal influência, João Gilberto, quando o grupo todo se mudou para uma cobertura no Rio de Janeiro.

Depois, moraram em um sítio em Jacarepaguá, onde criaram uma das maiores referências musicais brasileira as, o disco “Acabou Chorare” de 1972, que misturava rock, samba, frevo e choro.

Os Novos Baianos acabaram em 1978 e Moraes Moreira foi se aventurar sobre trios elétricos. Lançou-se em carreira solo e, do sucesso conceitual, tornou-se um fenômeno popular e comercial com mais de 460 composições gravadas. “Eu estou entre os maiores gravadores de música no Brasil”, diz.

De cabelos compridos encaracolados e óculos escuros, o representante do frevo, baião, forró, xote e samba “dá uma geral em sua carreira” no show especial do dia 1 de agosto. Ele vai cantar desde músicas dos Novos Baianos: “Preta Pretinha”, “Brasil Pandeiro” - até os sucessos da carreira solo “Pombo Correio”, “Festa no Interior”, “Descendo a Ladeira”, “Meninas do Brasil”, entre outras.

O músico também pode surpreender declamando poesias. Algo especial para o aniversário da cidade? “Vou deixar como surpresa”, desconversa.