09 de julho de 2026
Articulistas

Uma imagem desacreditada


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O Brasil infelizmente tem uma imagem desacreditada no Exterior, cujas coisas boas que se conhecem são unicamente algumas belezas naturais, mulheres bonitas, feijoada, caipirinha e o Cristo Redentor. No entanto, isso é apenas uma pequena fração das maravilhas que o país contém, enquanto a idéia que se projeta também enfatiza a pobreza, a violência e o caráter de país festeiro e corrupto. O sinal dos novos tempos chega na forma de um alarme castigador, que nos convoca a rever algumas das dificuldades que sucedem no território nacional a ponto de melhorarmos nossa expressão aos demais países.

Pacotes turísticos são vendidos do Exterior pela curiosidade que os turistas têm de conhecer aquilo que chamam de exotismo, como se tudo aqui fosse completamente diferente daquilo que já viram na vida: praias fascinantes, mulheres sensuais e cachaça. O Brasil já foi até objeto de um episódio do programa norte-americano Os Simpsons, em que, numa visita da família protagonista ao Rio de Janeiro, Homer foi seqüestrado depois de tomar um táxi clandestino, Bart foi furtado por trombadinhas, participaram de um carnaval de rua, até que decidiram se esconder da criminalidade numa casa que passou a ser alvo do ataque de - e isso é de deixar pasmo - macacos.

Acrescenta-se a essas imagens distorcidas que grupos de soldados norte-americanos que guerrearam no Iraque, no triste processo de redemocratização deste país, têm optado por passar as férias e descansar no Rio de Janeiro por custeio do próprio governo dos Estados Unidos, já que lhes haviam dito que praias, diversão noturna e prostituição são os principais atrativos da cidade, de acordo com notícia veiculada pelo jornal inglês The Guardian. Como se não bastasse, o periódico estadunidense Los Angeles Times publicou na terça-feira, 19 de junho, que os escândalos de corrupção no Brasil vêm e vão como os últimos lançamentos no cinema, cujos nomes são Hurricane, Anaconda, Vampiro, Dossiegate e agora Xeque-mate.

A imagem da segurança no Brasil, embora esteja parcialmente fundamentada nos fatos, é hedionda e transmitida como se qualquer lugar fosse dominado por extrema violência e pobreza. O turismo perde muito com isso. Outro caso que passou a corroborar essa imagem refere-se ao crime cometido contra um estrangeiro, o francês Grégor Erwan Landouar, de 35 anos, origem humilde e dinheiro poupado porque queria muito conhecer o Brasil, que acabou perdendo a vida esfaqueado na saída de um bar em São Paulo. Muitos brasileiros, então, têm buscado alternativas à sua verdadeira nacionalidade tirando cidadania européia, sobretudo a italiana, e alegando que obtêm mais benefícios disso.

O país que desejamos não é o das aparências de desenvolvimento econômico ou da rejeição por parte da comunidade internacional, que poderia chegar ao ponto de ter receio ou desistir de conhecer as belezas naturais do Brasil devido à imagem de violência e criminalidade que se expõe, mas um lugar onde dê orgulho, segurança e satisfação de viver. Além disso, o ideal é de que todos honremos a origem brasileira e lutemos por pressionar a favor da mudança das leis e das condições de vida para que, enfim, acreditemos nossa imagem para nós mesmos e para os outros, antes de que o eco que se reproduz de nós se torne fiel à realidade.

O autor, Bruno Peron Loureiro, é bacharel em Relações Internacionais