10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Preço da gasolina em Bauru é o segundo menor no Estado

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 3 min

Depois da queda nos preços do litro do álcool nas bombas de postos de Bauru - chegando a R$ 0,85 -, é a vez da gasolina chamar a atenção dos consumidores. Pelo menos nos últimos dez dias o combustível é vendido ao preço médio de R$ 2,29 em muitos dos cerca de 100 postos da cidade, mas pode ser encontrado por até R$ 2,19 em alguns estabelecimentos. O valor coloca Bauru como a cidade com o segundo menor preço da gasolina no Estado de São Paulo, atrás apenas de postos da Capital, que chegam a vender por R$ 2,15, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

De acordo com a agência, nas cidades de Atibaia, Tupã, Santo André e São José dos Campos a gasolina também pode ser encontrada a R$ 2,19, valor considerado baixo para padrões paulistas, mas que é batido em outros Estados. Na cidade mineira de Governador Valadares, o preço mínimo do litro da gasolina chega a R$ 2,13. Em Maringá, no Paraná, o valor é ainda menor, R$ 2,07.

Segundo Edivaldo Tuschi, proprietário de postos e diretor do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro) em Bauru, o preço da gasolina tem permanecido num patamar baixo devido à concorrência entre os estabelecimentos. “Em Bauru há uma guerra de preços terrível”, afirma. De acordo com Tuschi, o valor de R$ 2,19 praticado por alguns postos chega a ser irreal porque fica muito próximo do preço de custo do combustível comprado das distribuidoras, que até ontem variava entre R$ 2,10 e R$ 2,15.

Guerra

A guerra de preços começou, na visão do diretor do Sincopetro, quando postos sem bandeira (que não trabalham com uma distribuidora específica) baixaram os preços aproveitando o fato de que não precisam ser fiéis a essas companhias, buscando a gasolina onde é vendida mais barata, o que não exclui a possibilidade de compra sem nota fiscal no chamado “mercado paralelo”.

Os postos com bandeira não podem fazer o mesmo porque, por representarem uma marca, têm o compromisso de comprar o combustível apenas da distribuidora dona da mesma, que por sua vez, tem a prerrogativa de fazer o seu preço. “Para poder brigar, alguns postos com bandeira baixam o valor do combustível, mas com isso acabam levando prejuízo tirando do próprio bolso, porque as distribuidoras não ajudam”, diz. No seu caso específico como dono de posto, Tuschi afirma que apenas a distribuidora BR tem feito preços mais em conta, que o permitem brigar com a concorrência.

Na opinião do diretor do Sincopetro, a guerra deve continuar até o primeiro dono de posto não agüentar as contas. “Assim que o primeiro aumentar, todos vão atrás e daí sobe do mesmo jeito que caiu”, diz. “O dono de posto que trabalhar hoje com uma margem (de lucro) inferior a R$ 0,35 quebra”, garante Tuschi, dizendo que abdicar dessa margem significa ter que deixar de pagar outras contas e até impostos.

Considerando R$ 2,15 como preço de custo médio do litro da gasolina nas distribuidoras e a margem citada pelo diretor do Sincopetro, o preço do combustível na cidade deveria ser de, no mínino, R$ 2,50 para que os proprietários de postos “não ficassem no prejuízo”, segundo ele. O presidente do Sincopetro, Wagner Siqueira, acrescenta: “Essa situação (de preços) é irracional. Não deve passar dessa semana”, afirma.

O baixo preço do álcool, que compõe 25% da fórmula da gasolina, não chega a ajudar consideravelmente, segundo Tuschi. “O preço de custo da gasolina deve cair um centavinho por causa do álcool, mas um centavo não adianta nem falar”, lamenta.

Conforme divulgado pelo Jornal da Cidade no último dia 22, os atuais preços do álcool praticados em Bauru são os mais baixos desde 2005.