10 de julho de 2026
Geral

Idoso realiza sonho de fazer brinquedos

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 2 min

Nunca é tarde para se realizar um sonho e alcançar a almejada felicidade. Caminhando com desenvoltura em direção à esquina das ruas Agenor Meira e 1º de Agosto, em Bauru, ninguém imagina que seu Francisco Garcia já tem 71 anos. Com sorriso e entusiasmo invejáveis, ele expõe para venda no local seus trabalhos em madeira: os mesmos carros de boi, bondes, locomotivas e caminhões que produzia na infância para poder ter com o quê brincar, agora chamam a atenção dos pedestres.

Mas poucas peças são vendidas. Ontem, até o meio-dia, ele tinha obtido apenas R$ 8,00. Apesar disso, e da insatisfação da esposa, ele prossegue, fazendo todos os dias o caminho Lençóis Paulista-Bauru de ônibus circular. A explicação? É simples. “Eu gosto!”, resume.

‘Seu Francisco’ conta orgulhoso que sua habilidade com madeira começou logo na infância. Com apenas 8 anos ele começou a fabricar seus próprios carrinhos de brinquedo, a partir de carretéis de linha de madeira doados pela mãe, que era costureira. “Me lembro que um dia, um marceneiro passou em casa, viu os meu carrinhos e elogiou minha a habilidade ao meu pai”, conta.

Mas como nem tudo corre como o desejado, o pequeno Francisco, ao invés de virar marceneiro, foi trabalhar na lavoura por imposição do pai. Já adulto, se tornou vigilante de bancos, profissão que seguiu até a aposentadoria, há cerca de um ano. “Se eu tivesse tido oportunidade, teria sido um grande marceneiro profissional”, acredita.

Agora aposentado, o ex-vigilante se viu livre das responsabilidades e começou a se dedicar mais à atividade que sempre gostou. Sem nenhuma aula ou tutor e com apenas serrote, lixa e grosa (espécie de lima), ele dá asas à imaginação e transforma itens presentes no seu passado em pequenas obras de arte. Seu Francisco esculpe bois que puxam seus carros, monta bondinhos, marias-fumaças e caminhões antigos. Tudo com capricho. “Mas se você me pedir alguma encomenda, eu faço”, ressalta, contanto que havia acabado de entregar um porta-chaves em formato de Fusca.

Cada peça demora em média 15 dias para ser feita e a mais cara é o bonde: R$ 200,00. O preço espanta a clientela. “Não vende quase nada. Se eu dependesse disso, morreria de fome”, diz o artesão. “Todo mundo gosta (a reportagem comprovou durante a entrevista), mas ninguém tem dinheiro. Quem vai deixar de comprar comida para gastar com um enfeite?”, explica.

‘Seu Francisco’ conta que somando o dinheiro da sua aposentadoria com a da esposa, dá para passar o mês. Como a atividade não dá lucro, a mulher lhe pressiona a parar. “Eu tenho prazer. Além disso, ocupa minha mente e não deixa eu ficar parado. É meu passatempo”, explica. “Não sei ficar sem isso”, completa.