08 de julho de 2026
Geral

Prática também ocorre nos bairros

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 1 min

A avenida Nações Unidas e vias da área central de Bauru são pontos de prostituição conhecidos, inclusive o infantil. Mas o crime ocorre também nos bairros. Quem passa pela rodovia Bauru-Iacanga no início da noite já deve ter notado a presença de duas ou três adolescentes na beira da pista, mais precisamente na rotatória de aceso à Quinta da Bela Olinda, de frente à Vila São Paulo. Elas sempre estão lá a aproveitam que os motoristas precisam reduzir a velocidade no local para abordá-los: “Tio, vamos fazer um programa”, é a frase que disparam sem pudor.

Os moradores dos bairros da vizinhança até já se acostumaram com a presença das meninas no local. “Uma delas acho que terminou de completar 17 anos... Outra tem 16 anos. São de famílias desestruturadas”, conta Fernando Antônio Vieira dos Santos, presidente da Ação Comunitária Pousadense.

E ele relata que não é o único ponto de prostituição infantil na região. “Na Vila São Paulo tem um outro local, uma calçada ao lado de um mercado. As meninas ficam ali se oferecendo. Os carros chegam, os motoristas param e elas vão lá conversar e, muitas vezes, saem no carro”, relata. Para Santos, que já tentou montar uma peça de teatro para orientar adolescentes sobre o risco da gravidez indesejada e a responsabilidade que um filho exige, as meninas estão num círculo vicioso.

“Elas engravidam cedo, aos 13, 12 anos... Às vezes até aos 11 anos. O pai não assume a criança e elas precisam de dinheiro e então começam na prostituição”, avalia. Agora, Santos está tentando uma parceria com a escola estadual do bairro para tentar montar uma peça de teatro abordando o tema.